Cientistas portugueses descobrem mecanismo da perda de memória em doentes de Parkinson

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 25 set (Lusa) - Cientistas portugueses descobriram, num estudo com ratinhos, o mecanismo celular que pode explicar a falta de memória em doentes de Parkinson, foi hoje divulgado.

O estudo, conduzido por investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM) de Lisboa e das universidades Nova de Lisboa e de Gotinga, na Alemanha, revelou que uma proteína que se acumula no cérebro de doentes de Parkinson, a alfa-sinucleína, interage com uma outra proteína, a PrP, que funciona como um sensor, gerando alterações nas funções dos neurónios (células cerebrais) ligados à memória.

Ao administrarem uma droga da família da cafeína a ratinhos com excesso de alfa-sinucleína, a equipa de Luísa Lopes (iMM) e Tiago Outeiro (Universidade de Gotinga e Centro de Estudos de Doenças Crónicas da Universidade Nova de Lisboa) verificou, em testes de comportamento, que os défices de memória reverteram.

"Os animais tinham mais facilidade em encontrar pistas" do que os que não eram tratados com o fármaco, disse à Lusa a investigadora do iMM Luísa Lopes.

Tiago Outeiro precisou que o medicamento atua numa outra proteína, os recetores de adenosina A2A, que medeiam a interação entre as proteínas alfa-sinucleína e PrP.

"Se inibirmos os recetores A2A, evitamos o sinal tóxico emitido pela alfa-sinucleína para a PrP", afirmou à Lusa.

O investigador adiantou que o próximo passo do trabalho será caracterizar a interação entre as proteínas alfa-sinucleína e PrP, para "desenhar fármacos" que bloqueiem esta interação, e os seus efeitos na memória e na capacidade cognitiva, para os testar em ratos e macacos.

Segundo Tiago Outeiro, as terapias disponíveis para a doença de Parkinson apenas tratam disfunções motoras (tremores, dificuldade em andar e rigidez dos músculos são alguns dos sintomas).

Com o avançar da doença, surgem défices de memória e cognitivos e demência.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature Neuroscience.

ER // JMR

Lusa/Fim

+ notícias: País

Covid-19: Isolamento em caso de infeção deixa de ser obrigatório 

As pessoas infetadas com covid-19 vão deixar de ter isolamento obrigatório . Além disso, o SNS24 vai deixar de passar testes como acontecia até agora. Estas são medidas que surgem depois da situação de alerta devido à covid-19 deixa de estar em vigor este sábado. 

Preço justo da água é determinante para reduzir desperdício, defende associação Zero

A associação ambientalista Zero defendeu esta sexta-feira como um "fator determinante" para a redução do desperdício de água a atribuição de um "preço justo ao recurso", que "reflita os reais custos com a sua captação, tratamento e distribuição".

 Médicos de sáude pública consideram prematuro o fim do estado de alerta da Covid-19

Os médicos de saúde pública consideraram prematura a decisão de pôr fim ao estado de alerta devido à covid-19, que faz cair o uso obrigatório de máscaras, o isolamento dos casos positivos, os testes gratuitos e os apoios.