"Esteve sempre à altura dos acontecimentos" - Realizador Nuno Teixeira

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 07 jan (Lusa) -- O realizador de televisão Nuno Teixeira, que dirigiu os tempos de antena da primeira campanha presidencial de Mário Soares, afirmou que o político, hoje falecido em Lisboa, "esteve sempre à altura dos acontecimentos".

O realizador, em declarações à agência Lusa, afirmando não querer "repetir lugares comuns, nem o que já foi dito", disse que Mário Soares foi "a pessoa de que o país precisava nos anos quentes da revolução, e esteve sempre à altura dos acontecimentos".

Mário Soares "conseguiu, com o seu prestígio, com a sua inteligência, manter o país no lado correto da vida". "Manter o país no lado da democracia e da liberdade. O grande objetivo da vida dele era a liberdade", declarou.

Nuno Teixeira, realizador da RTP, que dirigiu "Vila Faia" e "Chuva na Areia", conheceu Mário Soares nessa altura, quando foi convidado, através de um irmão, para constar da lista de apoiantes do candidato presidencial, para as eleições de 1986.

"Já o conhecia de nome, pois estava mais ou menos a par do que se ia passando na oposição portuguesa [ao regime da ditadura, anterior ao 25 de Abril de 1974], e já tinha uma grande admiração por ele. Pessoalmente, conheci-o quando ele me desafiou a realizar os tempos de antena na televisão, estavam as sondagens [de Mário Soares] nos sete por cento", recordou à agência Lusa.

"Não tive dúvidas nenhumas em aceitar [o convite], e a única exigência que fiz foi que a equipa se formasse com um cineasta. Sugeri o nome de António-Pedro Vasconcelos, sem saber que este era também um apoiante da sua candidatura, e desta equipa fazia também parte [o realizador] Mário Barroso", contou.

Desse relacionamento recorda a forma de tratamento de Mário Soares com os seus mais próximos colaboradores, que "entendia como uma continuidade da sua própria família".

"Tratávamo-nos como família", sublinhou, de forma emocionada, Nuno Teixeira, um dos mais conhecidos nomes da RTP nas décadas de 1980/90, distinguido internacionalmente por programas como Sabadabadu, que também dirigiu as séries "O tal canal", "Humor de perdição" e "Casino Royal", de Herman José, entre outras produções.

Mário Soares morreu hoje, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado há 26 dias, desde 13 de dezembro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, a partir de segunda-feira.

Soares desempenhou os mais elevados cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história da democracia portuguesa: combateu a ditadura, foi fundador do PS e Presidente da República.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares foi fundador e primeiro líder do PS, e ministro dos Negócios Estrangeiros após a revolução do 25 de Abril de 1974.

Primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, foi Soares a pedir a adesão à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e a assinar o respetivo tratado, em 1985. Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

NL // MAG

Lusa/Fim

+ notícias: País

João Ferreira vence quarta prova do Nacional de todo-o-terreno

A dupla João Ferreira/David Monteiro (Mini) venceu este domingo a Baja TT Sharish, em Reguengos de Monsaraz, e reforçou a liderança do Campeonato de Portugal de todo-o-terreno em automóveis.

Nova estrutura da proteção civil? MAI afirma que bombeiros vão cumprir, apesar de discordarem

O ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, desvalorizou este domingo a discordância da Liga dos Bombeiros quanto à integração destes operacionais na nova estrutura da proteção civil, considerando que os bombeiros irão cumprir a lei em vigor.

Bloco de partos de Portimão encerra por falta de pediatras

O bloco de partos de Portimão vai encerrar entre as 21h00 de domingo e as 09h00 de segunda-feira devido à ausência de pediatras, disse à Lusa o administrador do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA).