Jornal Diário Jornal das 13 Último Jornal

A eutanásia é praticada nos hospitais públicos?

| País
Porto Canal (MYF)

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros defende que sim. A participar no programa 'Em Nome da Lei’, na rádio Renascença, Ana Rita Cavaco revelou que a eutanásia é praticada nos hospitais públicos e que já assistiu a situações em que os médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sugeriram dar insulina a doentes em situação terminal para lhes causar o coma e provocar a morte.

“Vivi situações pessoalmente, não preciso de ir buscar outros exemplos. Vi casos em que médicos sugeriram administrar insulina àqueles doentes para lhes provocar um coma insulínico. Não estou a chocar ninguém porque quem trabalha no SNS sabe que estas coisas acontecem por debaixo do pano, por isso vamos falar abertamente”, explicou Ana Rita Cavaco. "Não estou a dizer que as pessoas o fazem, estou a dizer que temos de falar sobre essas situações", acrescentou.

A bastonária afirma que a eutanásia é praticada nos hospitais públicos e defende mesmo que existem outras "figuras públicas que já o admitiram, e mais vale admitirmos que há coisas que não estão legisladas, mas que são feitas”, sublinhou. Questionada sobre se este processo é um crime, Ana Cavaco disse que sim, "mas isso acontece em todos os setores da sociedade, mais vale discutir”.

Assinante da petição Direito a Morrer com Dignidade, um manifesto em defesa da despenalização da morte assistida que reuniu assinaturas suficientes para ser debatida na Assembleia da República, Ana Rita Cavaco diz que a assinou pela experiência de sofrimento com que se tem deparado na sua vida profissional, uma vez que existem casos em que os cuidados paliativos não conseguem aliviar o sofrimento das pessoas.

Opiniões opostas: "Os médicos servem para ajudar a viver e a eutanásia ajuda a acabar com a vida"

No entanto, existem outros profissionais da área que não concordam com esta tomada de decisão. Em declarações á Renascença, Isabel Garriça Neto, médica e deputada do CDS, explica que durante os 20 anos de experiência com doentes terminais, só em situações muito pontuais os cuidados paliativos não conseguem acabar com a dor intolerável. Acredita que o problema está em não haver cuidados paliativos em todos o país e só existem cerca de 300 camas no SNS, por isso, aumentar os serviços é o que deve ser feito para evitar que pessoas estejam em sofrimento intolerável.

"Isto não é um tratamento médico. Porque é que não são os enfermeiros ou os juristas a fazê-lo. Os médicos servem para ajudar a viver e a eutanásia ajuda a acabar com a vida. Ponto final parágrafo”, defendeu. Galriça Neto alerta ainda que não está apenas em causa a sua aplicação a doentes terminais.

“O manifesto diz ‘acabar com a vida de pessoas com uma doença incurável e em sofrimento profundo’ e não no fim da vida. Ora isto é um eufemismo. Um diabético, por exemplo, antes de ser amputado ou ficar cego poderá pôr término à vida porque está num sofrimento intolerável”, ilustra.

Já Vitor Feytor Pinto, responsável pela Pastoral da Saúde do Patriarcado de Lisboa, mostra-se contra o conteúdo e a forma da petição. Defende que a morte assistida não é a "precipitação da morte".

“A morte digna é a morte assistida com cuidados eficazes, assistida com a companhia da família, assistida com a terapia de compaixão indispensável e com os apoios religiosos que o doente tem direito. Tudo isso é que é morte assistida. Considerar morte assistida a precipitação da morte, não o é, não pode ser”, avançou Feytor Pinto.

+ notícias: País

Estudo europeu conclui que população idosa portuguesa é pouco saudável

A população idosa portuguesa tem baixos níveis de saúde, em comparação com a de outros países europeus, de acordo com "o maior estudo" sobre envelhecimento realizado na Europa e hoje divulgado pela Universidade de Coimbra (UC).

Homem de 45 anos morre devido a ferimentos causados pelo mar em Espinho

Um homem de 45 anos morreu, este domingo, após ser retirado do mar da praia do Bairro dos Pescadores, em Espinho, em paragem cardiorrespiratória, e outras quatro pessoas, da mesma família, foram retiradas da água com vida, apurou o Porto Canal no local.

Atualizado 15-07-2018 15:12

Despiste de mota provoca um morto em Ovar

Um homem com cerca de 70 anos morreu, este domingo, após um despiste de mota na rua do Sol, em Arada, Ovar, apurou o Porto Canal com fonte dos Bombeiros Voluntários de Ovar.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

RELACIONADAS

DESCUBRA MAIS

N'Agenda

Exposição 'Frida Kahlo -...