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Obra integral de Vergílio Ferreira disponível pela primeira vez nas livrarias

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 26 jan (Lusa) -- O centenário do nascimento de Vergílio Ferreira motiva a edição, ao longo deste ano, da Obra Completa do escritor, que "estará pela primeira vez totalmente disponível nas livrarias portuguesas", disse à Lusa fonte da editora Quetzal.

A Quetzal iniciou este mês a "distribuição permanente, e todos os livros levarão um selo lembrando o centenário do nascimento do escritor", disse à Lusa fonte da editora do grupo Bertrand/Círculo.

Nos escaparates está já "um título há muito esgotado", "Rápida a Sombra" (1974), bem como "Aparição", numa "novíssima edição, finalmente com o grafismo definitivo da série da Obra Completa", e o primeiro romance de Vergílio Ferreira, "O caminho fica longe" (1943), com prefácio de Helder Godinho.

"A versão em papel é acompanhada da publicação, apenas em formato digital (e-book), da edição crítica e genética de Ana Isabel Turíbio, professora da Universidade Nova de Lisboa, que, durante anos, lidou com os originais e correções do autor", referiu a mesma fonte.

Uma edição genética requer a pesquisa em torno do manuscrito original, o que implica a descoberta do momento histórico da redação e o trabalho com o texto, ligado a procedimentos arquivísticos e "codicológicos", buscando descobrir o percurso da escrita.

A classificação do manuscrito, nesse contexto, pode admitir a inclusão de notas de pesquisa a suprimir lacunas. A transcrição do texto recorre à utilização de fac-similes e a publicação é feita, normalmente, por ordem cronológica.

Em fevereiro, coincidindo com o congresso organizado pela Universidade de Évora, vai ser publicada a integral dos cinco volumes de "Espaço do Invisível", incluindo o volume póstumo, em formato digital [e-book].

"Também em 'e-book' estão disponíveis os nove volumes do diário, 'Conta-Corrente', com a possibilidade de pesquisa por data e nome".

Às livrarias regressam ainda "os dois livros inéditos", que a Quetzal publicou há quatro anos, a novela "A curva de uma vida" (de 1938) e o romance "Promessa" (de 1947).

No final da primavera, será reeditado outro título há muito esgotado, "Cântico Final" (1960), e a publicação, em formato digital de "Sobre o humorismo de Eça de Queirós", escrito em 1943 por Vergílio Ferreira, e editado em 1945 pela Universidade de Coimbra, edição sobre a qual está a trabalhar o grupo de estudo e inventariação do espólio do autor.

Esta nova edição terá um posfácio de Onésimo Teotónio de Almeida.

Em declarações à Lusa, a escritora Lídia Jorge, que foi amiga de Vergílio Ferreira, disse que o escritor admirava Eça de Queiroz (1845-1900).

O plano da Quetzal deve encerrar com a publicação de "Onde tudo foi morrendo", cuja "edição genética" está a ser igualmente preparada.

Segundo a Quetzal, "é a primeira vez que a obra de Vergílio Ferreira estará totalmente disponível para os seus leitores, dos romances iniciais -- 'O caminho fica longe', 'Vagão J', 'Mudança' -, até aos derradeiros títulos - 'Cartas a Sandra', 'Na tua face', 'Em nome da terra' -, passando pelos ensaios".

Vergílio Ferreira nasceu a 28 de janeiro de 1916, em Melo, uma aldeia da Beira Alta, no concelho de Gouveia. Aos dez anos os pais emigraram para o Canadá e Vergílio ficou em Portugal, com os irmãos mais novos. Uma peregrinação ao Santuário de Lourdes, em França, influenciou o menino de 12 anos, que decidiu entrar no Seminário do Fundão, de onde saiu aos 18.

A sua experiência nesta escola eclesiástica servirá de mote ao romance "Manhã submersa" (1954), que Lauro António adaptou ao cinema, em 1980, assinando o argumento com o escritor, que fez parte do elenco ao lado, entre outros, de Eunice Muñoz e Canto e Castro, Jacinto Ramos e Adelaide João.

Vergílio Ferreira não seguiu a vida religiosa, terminou os estudos no então Liceu da Guarda e matriculou-se, depois, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tendo concluído a licenciatura de Filologia Clássica, em 1940. Durante a vida universitária publicou alguns poemas.

Licenciado, iniciou a carreira de docente do Ensino Secundário, em Faro, tendo lecionado, entre outros estabelecimentos, nos liceus de Bragança, Gouveia. Fixou-se em Lisboa, com a efetivação no Liceu Camões.

Em 1946 casou-se com Regina Kasprzykowsky, uma polaca que se refugiara em Portugal, com quem viveu até à sua morte.

Ao longo da sua carreira como escritor recebeu vários prémios entre os quais o D. Dinis, em 1981, P.E.N. Clube de Novelística, por duas vezes, em 1984 e 1991, o de Ensaio, em 1993, o da Crítica da Associação Portuguesa de Críticos Literários, em 1984.

Recebeu Grande Prémio de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1987 e em 1993, respetivamente por "Até ao fim" e "Na tua face", e o Prémio Camões, em 1992, ano em que foi eleito para a Academia de Ciências de Lisboa.

Em 1979 foi condecorado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.

O escritor morreu no dia 01 de março de 1996, no seu apartamento, em Lisboa, onde residia, e está sepultado em Melo, virado para a Serra da Estrela, conforme a sua vontade.

NL // MAG

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