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UMinho vai documentar Festa da Bugiada e da Mouriscada de Sobrado, Valongo

| Norte
Porto Canal com Lusa

Valongo, Porto, 10 nov (Lusa) - A Festa da Bugiada e da Mouriscada que se realiza em Sobrado, Valongo, vai ser alvo de um estudo coordenado pela Universidade do Minho, sendo objetivo candidatar esta tradição quer à lista nacional de património, quer à UNESCO.

Em causa está documentar uma festa em que os "Bugios" são os Cristãos, enquanto os Mouros dão pelo nome de "Mourisqueiros". Ambos disputam a imagem "milagrosa" de S. João de Sobrado numa festa que em junho envolve centenas de figurantes.

Hoje a câmara de Valongo, a Universidade do Minho (UMinho), através do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, a Associação da Casa do Bugio, organizadora das festas de S. João de Sobrado, e a União de Freguesias de Campo e Sobrado, formalizam um protocolo de cooperação, projeto que no primeiro ano usufruirá de 30 mil euros repartidos pelas entidades locais, e no segundo e terceiro poderá ser candidatado a fundos europeus.

"O que pretendemos é conseguir uma ferramenta poderosa sempre acompanhada pela comunidade. Este é um património que pode transformar-se num grande vetor de desenvolvimento do concelho. Não acredito na visão estática do património, mas na tradição com vida", referiu o presidente da câmara de Valongo, José Manuel Ribeiro.

O autarca falava no Centro de Documentação da Bugiada e Mouriscada, local onde foi assinado o protocolo, tendo, pela UMinho, Manuel Pinto, explicado que o trabalho no terreno passará por documentar a festa, quer descritivamente, quer em audiovisual, de forma "orientada para o conhecimento de todos e para a publicação".

O professor da UMinho avançou como primeiro objetivo inscrever a Festa da Bugiada e da Mouriscada na lista nacional de património, seguindo-se uma abordagem à UNESCO. Recorde-se que as Festas de S. João de Sobrado são uma tradição festiva que já integra o Património da Máscara Ibérica, tendo já sido reconhecida como Património Cultural de Interesse Municipal.

Já pelo Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Moisés de Lemos Martins recordou que é "missão" da UMinho "fazer estudos que interessam, enriquecem e representam as comunidades".

E tanto o presidente da União de Freguesias de Campo e Sobrado, Alfredo Sousa, como o presidente da Casa do Bugio, António Pinto, manifestaram disponibilidade para colaborar com este projeto, pedindo à autarquia que "continue a usar a festa como bandeira cultural do concelho".

Estas festas atraem anualmente a Sobrado, no distrito do Porto, cerca de 35 mil pessoas, segundo estimativas da organização. A ideia de candidatar a tradição e evento às listas de património nacionais e internacionais já são uma aspiração antiga, mas foi sendo adiada, estado agora, garantiram os responsáveis ainda que sem querer apontar datas, garantidos os meios necessários para que se torne uma realidade.

PYT // MSP

Lusa/fim

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