Crimes ambientais em Ourém põem em risco lampreia em vias de extinção - Quercus

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Porto Canal / Agências

Ourém, 21 ago (Lusa) - Descargas poluentes na Ribeira de Seiça, em Ourém, estão a colocar em risco uma espécie de lampreia em vias de extinção, disse hoje à Lusa o presidente da direção do Núcleo Regional do Ribatejo e Estremadura da Quercus.

"No processo fabril de uma fábrica que faz reciclagem de plástico sem o devido tratamento estão a ser lançados para a água efluentes tóxicos que desaguam nessa linha de água, o que afeta o ecossistema ribeirinho e em especial a rara lampreia do Nabão", informou Domingos Patacho.

A lampreia do Nabão (Lampreta auremensis) é espécie recentemente identificada por investigadores das universidades de Évora e Lisboa, sendo que em dezembro a Quercus já alertara para a ameaça que pendia sobre esta espécie de lampreia.

"A classificação de 'Criticamente em Perigo' é a mesma que recai sobre o lince ibérico. Esta espécie encontra-se em áreas de distribuição muito restritas e fragmentadas, em Ourém, com constrangimentos ao nível da multiplicação, pelo que todo o cuidado das entidades públicas e de privados será sempre pouco", explicou, então, Domingos Patacho à Lusa.

O uso abusivo de produtos agroquímicos, cujos nutrientes podem contaminar as linhas de água, limpezas das margens agressivas, ausência de saneamento em algumas áreas, bem como possíveis descargas de pequenas unidades industriais, são "ameaças reais às lampreias", salientou o ambientalista.

Hoje, a associação ambiental revelou que têm surgido denúncias relativas à poluição provocada pela laboração da nova unidade da Tubogriz -- Fábrica de Tubos para Indústrias Elétricas e já foram alertadas entidades como o Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (SEPNA) da GNR, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Câmara de Ourém.

A Quercus considera "inaceitável a manutenção da laboração da fábrica da Tubogriz enquanto não forem resolvidos os problemas ambientais que evidencia: descarga de efluentes sem o devido tratamento e consequente poluição da ribeira de Seiça, e abandono ilegal de resíduos".

"Dada a falta de atuação dos Ministérios do Ambiente e Economia para fazer cessar as infrações, a Quercus apelou à IGAMAOT [Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território] para interditar o funcionamento das operações ilegais da fábrica da Tubogriz", pode ler-se num comunicado hoje divulgado pela associação.

A Quercus adiantou ainda que "o SEPNA já levantou vários autos de notícia por contraordenação devido à descarga de águas residuais para domínio hídrico", por "proceder a operações de gestão de resíduos devido ao abandono e aterro ilegal das lamas contaminadas" sem alvará da APA, assim como pela "falta de licença do município de Ourém para operações urbanísticas".

A Lusa contactou um responsável da empresa, que se escusou a tecer comentários para já, admitindo, contudo, possíveis esclarecimentos durante o dia de hoje.

JYMC // SSS

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