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Centro de Linguística do Porto fecha biblioteca por falta de financiamento

Centro de Linguística do Porto fecha biblioteca por falta de financiamento
| Norte
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O Centro de Linguística da Universidade do Porto (CLUP) vai fechar, a partir de quarta-feira, a biblioteca e a sala de leitura, invocando falta de verbas que permitam manter em funções uma funcionária a tempo inteiro.

O coordenador do CLUP, João Veloso, disse à Lusa que a falta de financiamento impede a instituição de renovar o serviço prestado por uma bolseira técnica de investigação, uma antiga estudante da Faculdade de Letras do Porto, que, na quarta-feira, "vai para o desemprego".

O CLUP passou de classificação de "muito bom" para "medíocre", o que o priva de ter direito a fundos públicos, da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), para despesas até pelo menos à próxima avaliação, intercalar, em 2017.

Segundo João Veloso, o CLUP recebia anualmente da FCT, nos últimos dois anos, 55 mil euros, verba que permitia, ainda, ao centro organizar palestras e congressos, comprar livros para o acervo da biblioteca, publicar revistas e apoiar deslocações de investigadores no país e no estrangeiro para participarem em conferências.

Sem esse montante, frisou, será difícil assegurar todas as atividades básicas.

João Veloso adiantou que, além do encerramento ao público da biblioteca e da sala de leitura, o CLUP vê-se obrigado a suspender a aquisição de novos livros, pelo menos este ano, e a acabar com a edição em papel de uma revista.

Quanto a congressos e conferências, "teremos de reformatar as iniciativas e tentar obter outros apoios", assinalou, sustentando que "a situação obriga a alguma criatividade e precariedade que permita a sobrevivência financeira" do CLUP.

A 15 de abril, a direção do centro vai submeter a apreciação da comissão científica uma proposta para que professores possam, em regime de voluntariado, garantir o funcionamento da biblioteca e da sala de leitura durante algumas horas por semana.

"Mas não sabemos se vai aprovar...", afirmou João Veloso. O encerramento do centro, que chegou a ser admitido em julho pelo próprio coordenador, por enquanto não se coloca, apesar das "muitas dificuldades".

Da reitoria da Universidade do Porto, o CLUP tem, este ano, até 6.500 euros para apoiar a participação de 13 dos seus membros, os que apenas têm vínculo à universidade, em determinadas atividades, como congressos.

A Faculdade de Letras garante as instalações do centro.

Para contornar as dificuldades financeiras, o CLUP vai candidatar os seus projetos a mega fundos comunitários como o programa Horizonte 2020, no valor global de 80 mil milhões de euros, embora, de acordo com João Veloso, a má nota atribuída na avaliação "prejudique à partida" o centro e trave "uma série de oportunidades".

O processo de avaliação das unidades de investigação, na reta final, tem sido contestado por laboratórios, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e Sindicato Nacional do Ensino Superior, que apontam várias irregularidades, já refutadas pela FCT, como a falta de avaliadores com conhecimentos das áreas científicas em análise.

O CLUP, que recorreu dos resultados para a direção da FCT, sem sucesso, considera que "foi muitíssimo mal feita" a sua avaliação. Em agosto, a comissão científica já tinha tornado pública uma posição que referia que o painel de avaliação "não incluiu um número suficiente e representativo de linguistas internacionalmente reconhecidos", inclusive da área da Linguística Portuguesa.

Uma petição contra o encerramento do Centro de Linguística da Universidade do Porto, com mais de três mil assinaturas, chegou a circular na internet.

Justificando a importância do seu trabalho, o CLUP argumenta que é "o único centro especializado em linguística do norte do país", com "um valiosíssimo espólio bibliográfico, científico, documental, linguístico e histórico".

O centro, que tem mais de 90 membros, foi fundado em 1976, por iniciativa de Óscar Lopes. A biblioteca reúne, entre o seu acervo, livros com anotações manuscritas do professor e ensaísta, incluindo a "Gramática Simbólica do Português".

A Lusa procurou, na segunda-feira, um comentário adicional da Universidade do Porto a este assunto, mas não foi possível obtê-lo até ao momento.

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