Protestos vão aumentar no Brasil durante o evento - Frei Betto

Protestos vão aumentar no Brasil durante o evento - Frei Betto
| Mundial 2014
Porto Canal / Agências

O escritor brasileiro Frei Betto considerou que a contestação social no Brasil contra o Mundial de futebol de 2014 vai aumentar e disse que teme a "infiltração policial" em manifestações para voltar a opinião pública contra os manifestantes.

Numa entrevista à agência Lusa, por ocasião da sua participação no Conselho Mundial José Martí, em Vila Real de Santo António, Frei Betto considerou que os Governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff "são os melhores da história republicana, promoveram uma grande inserção económica, 55 milhões de pessoa saíram da miséria, mas por outro lado promoveram uma despolitização da nação e dos movimentos sociais e sindicais".

"Em qualquer favela você tem o barraco de madeira ao lado de um esgoto fétido, porque não há saneamento, mas lá dentro desse barraco tem celulares [telemóveis], televisão a cores, máquina de lavar roupa, fogão, geladeira [frigorífico], e possivelmente essa família tem um carro no pé do morro, porque está facilitado pelo crédito e pode hoje ser comprado hoje um carro no Brasil pagando até 90 meses", afirmou.

O escritor, que foi assessor do ex-presidente brasileiro Lula da Silva, lamentou, no entanto, que não se tenha dado a "essa população acesso aos bens sociais", como "educação de qualidade, saúde de qualidade, transportes públicos, saneamento, moradia", com o argumento da falta de dinheiro, que depois "surgiu, milagrosamente", para construir os 12 estádios do Mundial.

"Dizia-se que o Governo não iria colocar dinheiro, viria todo da iniciativa privada, mas não é verdade, foram 15 mil milhões de dólares", acrescentou, sublinhando que, "em 12 anos de governo, o Partido dos Trabalhadores não fez nenhuma reforma de estruturas, nem a agrária, nem a política, nem a tributária" e "sem reforma de estruturas o Brasil não tem futuro", como prova "o baixo crescimento, o regresso da inflação e a brutal desigualdade" que ainda existe.

Frei Betto lembrou que, dos 12 estádios construídos para o Mundial, "quatro são em cidades que nem sequer têm equipas da segunda divisão - Natal, Cuiabá, Manaus e Brasília -- e como não foram pensados para funcionar durante o ano, com escolas, por exemplo", os gastos são "um desperdício brutal".

"Esperava-se um número maior de turistas e torcedores [adeptos], esperava-se que a infraestrutura estivesse adequada e toda preparada agora para os receber, mas infelizmente os aeroportos não só não ficaram prontos, como foram todos sobrefaturados e prevê-se que, se essas obras prosseguirem, só estejam concluídas em 2017", disse.

Por isso, Frei Betto considera que "haverá manifestações sim", embora espere "que não sejam violentas", e disse acreditar que "a violência é muito causada pela infiltração policial, para colocar a opinião pública contra os manifestantes".

O escritor lembrou ainda que é ano eleitoral e os políticos tentam capitalizar a sua posição com o Mundial de futebol, mas defendeu que a popularidade mais baixa do que a do seu antecessor não vão impedir a reeleição de Dilma Rousseff nas eleições de outubro, mesmo que tenha de disputar uma segunda volta.

"O Lula, nos oito anos de governo, teve uma conjuntura mundial muito mais favorável", ao contrário de Dilma Rousseff, disse.

Carlos Alberto Libânio Christo, conhecido como Frei Betto, é um religioso dominicano que já recebeu vários prémios pelo trabalho em defesa dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares.

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