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Embaixador português na RDCongo lamenta morte de homólogo italiano em ataque

| Política
Porto Canal com Lusa

Kinshasa, 22 fev 2021 (Lusa) -- O embaixador português na República Democrática do Congo (RDCongo), António Inocêncio Pereira, lamentou hoje a morte do homólogo italiano, "uma pessoa muito próxima e amiga", durante um ataque na província de Kivu-Norte.

"A comunidade diplomática em Kinshasa está absolutamente devastada com esta tragédia ocorrida esta manhã", escreveu António Inocêncio Pereira na rede social Facebook, recordando o embaixador italiano, Luca Attanasio, 44 anos, como "uma pessoa muito próxima e amiga" e "amigo de Portugal e dos portugueses".

O diplomata português sublinhou que a RDCongo "precisa de mais ajuda e empenhamento internacional para resolver o complexíssimo problema de segurança a leste, confluência de muitas outras situações que terão de ser resolvidas e erradicadas".

"São milhões de pessoas a sofrer com estas três décadas de instabilidade, o empenhamento das atuais autoridades de Kinshasa precisa de ser magnificado por outras lentes", defendeu António Inocêncio Pereira, que à Lusa disse que "a questão de fundo é o terrorismo no leste" do país.

O embaixador italiano em Kinshasa, Luca Attanasio, foi hoje morto a tiro num ataque armado a um comboio do Programa Alimentar Mundial (PAM), durante uma visita perto de Goma, no leste da República Democrática do Congo, segundo fontes diplomáticas.

Luca Attanasio, que desempenhava as funções de embaixador na RDCongo desde início de 2018, foi "alvejado no abdómen" e "resgatado pelos guardas do Instituto Congolês para a Conservação da Natureza (ICCN)" no Virunga Park, segundo as autoridades congolesas.

O Ministério do Interior da RDCongo acusou os rebeldes hutus ruandeses de estarem por detrás do ataque que matou o embaixador.

"Os serviços de segurança e as autoridades provinciais não puderam fornecer quaisquer medidas especiais de segurança à caravana ou ajudá-los devido à falta de informação sobre a sua presença nesta parte do país, que é considerada instável", apontou o Ministério do Interior.

Durante o dia de hoje, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, condenou veementemente o ataque, que qualificou como "cobarde".

"Só há uma caracterização possível deste ataque: é um ataque cobarde. Um ataque a um comboio das Nações Unidas, um ataque a um comboio do Programa Alimentar Mundial só pode ser qualificado como aquilo que é: um ataque cobarde e inaceitável na sua cobardia", acusou Santos Silva numa conferência de imprensa em Bruxelas no final de uma reunião presencial de chefes da diplomacia da União Europeia.

O ataque ao comboio do PAM teve lugar a norte de Goma, a capital da província do Kivu Norte, que tem sido flagelada pela violência de grupos armados há mais de 25 anos.

Esta região, que acolhe o Parque Nacional da Virunga, uma joia natural, turística e em perigo de extinção, é também o cenário de conflito no Kivu Norte, onde dezenas de grupos armados lutam pelo controlo da riqueza do solo e subsolo.

Criado em 1925, o Parque Nacional de Virunga é Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura). Estende-se por 7.769 km2, desde Goma até ao território de Beni, entre montanhas e florestas.

O parque é guardado por 689 guardas-florestais armados, dos quais pelo menos 200 foram mortos no cumprimento do seu dever, segundo os funcionários do parque.

JYO (ACC/TEYA/SMM) // LFS

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