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Presidenciais: Ana Gomes "até pegava em armas" contra fascismo

| Política
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 11 nov 2020 (Lusa) -- A anunciada candidata presidencial Ana Gomes admitiu recorrer à luta armada para "defender a democracia e a liberdade" contra "fascismo e ditadura", numa grande entrevista de vida que vai ser publicada brevemente.

"Se hoje voltássemos a estar sob fascismo e ditadura, se fosse preciso, ainda faria o mesmo ou mais. E se fosse preciso hoje, para defender a democracia e a liberdade, até pegava em armas, disto não tenho dúvida nenhuma", afirmou.

O livro "Ana Gomes, a vida e o mundo", da autoria do jornalista do Diário de Notícias João Pedro Henriques, tem a chancela da editora Palimpsesto.

A antiga dirigente e eurodeputada do PS recordou o seu percurso político e profissional, da militância no PCTP/MRPP à carreira diplomática e ao seu papel no processo de autodeterminação de Timor-Leste, entre muitos outros assuntos.

A frequência da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, iniciada ainda no período da ditadura, juntaram-na ao fiscalista Saldanha Sanches e à procuradora Maria José Morgado, ao advogado Garcia Pereira e ao então extremista Durão Barroso, contra o regime do Estado Novo e a Guerra Colonial, pela "revolução a todo o vapor".

"Havia alguns professores muito abertos aos estudantes anti-regime, como o Miguel Galvão Telles e o Luís Silveira, outros simpáticos mas alinhados com o regime, como Marcelo [Rebelo de Sousa]", descreveu, apesar do "balanço positivo" que faz do mandato do atual Presidente da República.

Após o 25 de Abril, o casamento com o advogado António Monteiro Cardoso, o nascimento da filha Joana e o trabalho afastam-na do PCTP/MRPP, seguindo-se o concurso para a carreira diplomática, a assessoria ao então Presidente da República, general Ramalho Eanes, e colocações em Genebra, Tóquio, Londres, Nova Iorque e Jacarta, até se dedicar ao Parlamento Europeu, já com cartão de militante socialista, mas só em 2002.

Na década de 1980, nos bastidores do Palácio de Belém, Ana Gomes envolveu-se com diplomata António Franco e casaram na década seguinte, permanecendo juntos até à morte recente do companheiro, numa relação atribulada pelas missões do Ministério dos Negócios Estrangeiro de que ambos nunca abdicaram.

Franco foi depois chefe da Casa Civil do Presidente da República Jorge Sampaio.

Passado o demorado e trabalhoso processo da independência timorense, a então embaixadora de Portugal na Indonésia, que tinha ganho enorme projeção mediática, voltou a cruzar-se com Durão Barroso, já instalado como primeiro-ministro antes de se tornar presidente da Comissão Europeia.

O agora presidente do banco Goldman Sachs na Europa e dirigente da Aliança Global para as Vacinas convidou Ana Gomes a ingressar no PSD, mas a diplomata contou que já se tinha comprometido com o então líder socialista, Ferro Rodrigues, atual presidente da Assembleia da República.

"Um partido é um instrumento, como outro qualquer, para chegar ao poder", terá argumentado o também presidente não-executivo do grupo financeiro Goldman-Sachs e antigo companheiro de luta no PCTP/MRPP.

A candidata presidencial disse que lhe respondeu: "ó meu caro Zé Manel [Durão Barroso], para mim não é, para mim, é ideologia, são princípios, são valores, e eu revejo-me nos do PS".

Ao longo das 279 páginas da obra, Ana Gomes assume-se como uma ateia que respeita quem é religioso e colecionadora inveterada de porcelana chinesa.

 

HPG // JPS

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