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Covid-19: Governo britânico vai pagar 22% do salário de trabalhadores até março

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Londres, 24 set 2020 (Lusa) - O Governo britânico vai pagar 22% do salário a trabalhadores afetados pela pandemia covid-19 para manter empregos, anunciou hoje o ministro das Finanças, Rishi Sunak, no âmbito de um plano de "resposta económica". 

Durante seis meses, entre novembro e março de 2020, se um trabalhador cumprir 33% do seu horário, o Governo divide com o empregador o custo pelo restante horário (22% cada), mas o resultado é que o salário final ficará pelos 77% do valor normal. 

Sunak disse hoje no parlamento que este plano pretende manter "empregos viáveis" ao dar apoio a "empresas que enfrentam procura mais reduzida a opção de manter empregados num posto de trabalho em horário parcial em vez de os despedirem". 

O Regime de Apoio ao Emprego é dirigido, sobretudo, a pequenas e médias empresas em todo o Reino Unido, enquanto que empresas grandes só poderão beneficiar se a faturação tiver caído durante a crise. 

O ministro anunciou também o prolongamento da taxa reduzida de IVA para o turismo e restauração de 5% até ao final de março de 2020, mais tempo e flexibilidade para pagar de volta empréstimos dados a empresas de acordo com as receitas e pagamento de impostos em prestações mais reduzidas.  

O plano surge alguns dias após o primeiro-ministro, Boris Johnson, ter anunciado novas restrições, recomendando de novo o teletrabalho e decretando o encerramento de bares e restaurantes às 22:00 horas, medidas que admitiu poderão ser necessárias permanecer durante os próximos seis meses. 

O Reino Unido, país com maior número de mortos de covid-19 na Europa, 41.862 registados oficialmente até quarta-feira tem vindo a registar um aumento rápido e substancial de novas infeções e hospitalizações nas últimas semanas. 

Na quarta-feira, o Ministério da Saúde contabilizou 6.178 casos de contágio, um recorde diário desde 01 de maio.

"O ressurgimento do vírus e as medidas que temos de tomar como resposta representam uma ameaça para esta recuperação económica frágil", admitiu o ministro, ao justificar a necessidade de "proteger empregos durante os meses difíceis do inverno". 

Porém, também reconheceu que "é provável que a economia sofra um ajustamento mais permanente" devido ao impacto da pandemia covid-19 e que "nem todos os postos de trabalho vão ser salvos". 

O novo programa surge após pressão de empresas e sindicatos para intervir com apoio mais direto para trabalhadores em situações de trabalho precárias tendo em conta o fim no final de outubro do regime de 'lay-off' criado pelo Governo em março.

A ministra sombra do Partido Trabalhista para a área das Finanças, Anneliese Dodds, manifestou "alívio" por o governo ter satisfeito o apelo do partido a um sistema de apoio aos salários. 

"Se o pacote de medidas puder ajudar pessoas a manter empregos e as empresas a ultrapassar dificuldades, Partido Trabalhista obviamente apoia", disse. 

Para mostrar que foi sensível aos problemas levantados, Sunak organizou antes da intervenção no parlamento uma fotografia em frente ao edifício de trabalho, ao lado da residência do primeiro-ministro em Downing Street, com uma cópia do plano e ladeado por Carolyn Fairbarn, diretora-geral da Confederação da Indústria Britânica, principal organização do patronato, e Frances O'Grady, secretária-geral da intersindical Trades Union Congress.

O novo programa entra em vigor para compensar o fim do regime de 'lay-off', que garantiu o pagamento de 80% dos salários até 2.500 libras por mês (2.850 euros) até agosto, 70% do salário em setembro e 60% em outubro.

Segundo Boris Johnson, este programa ajudou 12 milhões de trabalhadores com um custo 160 mil milhões de libras (175 mil milhões de euros).

Rishi Sunak disse hoje que, até agora, o Governo gastou 190 mil milhões de libras (208 mil milhões de euros) no "apoio a pessoas, empresas e serviços públicos para proteger capacidade económica" durante a pandemia. 

BM // MSF

Lusa/fim

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