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Covid-19: Limitações ao movimento vão manter-se em África mesmo depois da pandemia

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Hong Kong, 15 abr 2020 (Lusa) - A consultora Fitch Solutions considera que a restrição de movimentos em África vai manter-se mesmo depois das medidas de isolamento social serem levantadas, alertando que a insegurança alimentar pode tornar-se um desafio.

"Devido à virulência e às incertezas que rodeiam a pandemia de covid-19, antevemos que algumas restrições à circulação se mantenham em África durante 2020 mesmo depois de as medidas de isolamento serem levantadas", lê-se numa nota de análise sobre as implicações das medidas de isolamento social no continente.

No relatório, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, estes analistas da Fitch Solutions, uma consultora detida pelos mesmos donos da agência de 'rating' Fitch escrevem que "a restrição prolongada de movimentos, o aperto no controlo de fronteiras, o impacto das perturbações na cadeia de abastecimento global e a descida na produtividade pode fazer com que a insegurança alimentar se torne um desafio para vários estados em África".

Para além disto, alertam, "os terroristas vão procurar capitalizar o vazio de segurança, governação e ajuda humanitária para expandirem a sua influência".

No comentário, os analistas avisam também que as perturbações económicas e as perturbações na cadeia de fornecimentos vão dar origem a dois desafios relacionados com a segurança.

"A 23 de março, o Chade sofreu a sua maior perda na batalha contra o terrorismo, quando uma fação aliada do Boko Haram atacou uma base armada na região do Lago Chade, matando 92 soldados", apontam os analistas, exemplificando também com a situação de violência no norte de Moçambique.

"De acordo com a agência das Nações Unidas para os Refugiados, foram feitos pelo menos 28 ataques na província de Cabo Delgado nos primeiros dois meses deste ano, originando na perda de casas para 100 mil civis", escrevem os analistas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 124 mil mortos e infetou quase dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Dos casos de infeção, cerca de 413.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O número de mortes provocadas pela covid-19 em África ultrapassou hoje as 800 com mais de 15 mil casos registados em 52 países, de acordo com a mais recente atualização dos dados da pandemia naquele continente.

MBA // PJA

Lusa/Fim

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