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Advogado denuncia "sequestro" de quatro opositores da Guiné-Equatorial no Sudão do Sul

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 29 nov 2019 (Lusa) - O advogado equato-guineense Ponciano Mbomio Nvó denunciou hoje a detenção de quatro opositores ao regime do Presidente Teodoro Obiang, adiantando que foram "sequestrados" no Sudão do Sul e levados para cadeias na Guiné Equatorial.

"Temos a informação clara de que foram sequestrados em Juba, capital do Sudão do Sul. São quatro elementos da oposição e dois são ex-militares do Exército espanhol, guineenses, mas com nacionalidade espanhola", disse.

De acordo com o advogado, que falava à agência Lusa, por telefone, a partir da Guiné Equatorial, os quatro homens saíram de Madrid (Espanha), passaram por Frankfurt (Alemanha) e Adis Abeba (Etiópia) até serem detidos em Juba, capital do Sudão do Sul.

Explicou que três dos homens tinham sido condenados à revelia no julgamento relacionado com uma alegada tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2017.

No final de 2017, cerca de 30 homens do Chade, Camarões e República Centro-Africana, foram presos e acusados de serem mercenários que entraram na Guiné Equatorial armados para fazer um golpe de Estado.

Na sequência das primeiras detenções, o Governo prendeu e acusou 130 outras pessoas no total, entre estrangeiros e equato-guineenses, por suspeitas de participação na alegada tentativa de golpe.

Em maio, 112 foram condenados a penas entre os três e os 96 anos de prisão, num julgamento que as organizações de defesa dos direitos humanos classificaram como "um erro grosseiro de justiça", denunciando várias violações do processo e confissões extraídas sob tortura.

Ponciano Mbomio Nvó, que durante o julgamento representou 10 dos acusados, adiantou que foi já contactado por familiares dos quatro homens para fazer a sua representação, mas admitiu, que de momento, as informações sobre as condições de detenção e as acusações de que são alvo são ainda escassas.

O advogado e ativista adiantou ainda à agência Lusa que nos últimos dias é visível um aumento da presença de militares em algumas zonas do país.

"A cidade de Bata [capital económica do país] e algumas zonas do interior do país estão minadas de militares armados até aos dentes", disse, adiantando, no entanto, que não foi feito qualquer aviso à população sobre o reforço da segurança.

Segundo um documento, difundido no fim de semana pelos canais da oposição, a Guiné Equatorial colocou as forças armadas e de segurança em "alerta máximo" em todo o território nacional "para salvaguardar os valores supremos da pátria".

O documento, divulgado online no site da Associação para a Solidariedade Democrática com a Guiné Equatorial (ASODEGUE), com sede em Madrid, e citado pelas agências noticiosas internacionais é atribuído ao ministro da Defesa, Leandro Bakale Nkogo, e está datado de 21 de novembro.

Não foi adiantada qualquer razão nem feita qualquer comunicação pública sobre o estado de alerta pelo Governo do Presidente Teodoro Obiang, 77 anos, 40 dos quais na liderança deste país produtor de petróleo da África Central e, desde 2014, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Na prática, o estado de alerta significa que todos os militares estão mobilizados e nos quartéis em prontidão.

As forças navais foram encarregadas de intensificar as patrulhas marítimas para garantir a segurança das plataformas petrolíferas, bem como o controlo e vigilância das águas territoriais.

A polícia tem igualmente ordens para intensificar as patrulhas e os serviços aduaneiros farão um controlo mais apertado sobre os que chegam do exterior.

Além do rapto por piratas de sete marinheiros ao largo da costa, na quarta-feira, 20 de novembro, não houve incidentes de segurança conhecidos que pudessem explicar a entrada em vigor deste estado de alerta, apontam as agências internacionais.

"Normalmente, quando se declara um estado de alerta ou de emergência têm de se informar a população porque supõe uma restrição da liberdade das pessoas. Até ao momento essa informação não foi dada e não sabemos o motivo", disse Ponciano.

CFF // PJA

Lusa/Fim

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