Info

Professor de Chaves ensina os alunos a pensar e aplicar o saber na comunidade

| Norte
Porto Canal com Lusa

Chaves, Vila Real, 30 out 2019 (Lusa) -- Para ensinar os alunos a pensar e levar os programas escolares mais longe, aplicados à comunidade, o professor Jorge Teixeira criou o Centro de Recursos de Atividades Laboratoriais Móveis, inaugurado hoje em Chaves.

"Este centro é um local onde alunos e professores podem desenvolver projetos, pegar neles, e levá-los para a periferia. Alguns podem ser inovadores e de diversas áreas, como físico-química, biologia ou matemática", contou o mentor do projeto, Jorge Teixeira, que leciona na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, em Chaves, no distrito de Vila Real.

Criado no âmbito do Clube do Ensino Experimental das Ciências, este centro está aberto a professores nacionais e estrangeiros, que pretendam replicar as ideias criadas e leva-las para as suas salas ou para outros locais.

Um dos objetivos é chegar mais longe do que os programas escolares que são cumpridos no ensino tradicional.

"Não sou contra o ensino tradicional, pois há coisas que têm de ser ensinadas, mas deve-se pegar naquilo que se aprende e aplicar à comunidade, ou seja, perceber como o mundo funciona", sublinha.

Ensinar a pensar é outra das metas de Jorge Teixeira, que considera a literacia científica fundamental para todos.

"Temos de refletir muito sobre aquilo que aprendemos e só refletindo podemos atingir um nível mais alto", lembra.

Mas ensinar a pensar "envolve muita energia", o que obriga a motivar os alunos, sendo uma das formas alterar a dinâmica entre professor e aluno.

"Neste centro somos todos colegas, vamos trabalhando, por vezes pego num projeto e sei tanto como eles, mas vamos construindo e as coisas vão acontecendo", confessa.

Para aprender o que é uma nuvem, como esta se produz, observar astros, construir pequenos carros a energia solar, ou regar plantas com recurso à humidade do ar, são criados kits que explicam esses fenómenos do dia-a-dia.

Com cerca de 70 kits já construídos sobre vários temas, estes estão à disposição da comunidade em geral, para que mais novos e mais velhos possam aprender.

A maioria destes kits são construídos com recursos a materiais de baixos custos, mas há também o uso tecnologia, como telescópios, que envolveram um maior investimento.

"Com materiais de baixo custo podemos colocar alunos a pensar sobre os fenómenos que acontecem no dia-a-dia", adianta.

Além do apoio de empresas particulares, parte dos encargos são também suportados pelo prémio monetário conquistado por Jorge Teixeira, o Global Teacher Prize 2018.

Com 50 anos e 26 de ensino, o professor de Chaves, formado em engenharia física, até começou a lecionar no ensino universitário, mas a sua vontade de ensinar no secundário levou-o a mudar de área.

"Quantos mais novos os alunos são, maior diferença podemos fazer. Por vezes, na universidade, os alunos já tem dificuldade em começar a pensar, algo que é extremamente difícil para todos nós, mas que é extremamente importante e nos pode levar mais longe", atira.

Na altura na Escola Fernão de Magalhães, também em Chaves, Jorge Teixeira criou em 2006 um clube de ciências que viria a dar inicio a todo este projeto.

"Desde então todo os anos tenho alunos, cerca de metade dos alunos que tenho da turma vem cá à sexta feira, em vez de ir de fim de semana, para aprender alguma coisa", conta.

Depois de já ter cativado mais de 500 estudantes, Jorge Teixeira lembra ainda que é estudado o efeito prático no êxito escolar e que, quer na nota final, quer no exame nacional, quem frequenta este tipo de ensino tem uma melhoria entre 1,5 e seis valores.

"Os resultados são exatamente iguais na classificação interna e nos exames nacionais", assinala.

O reconhecimento em 2018 com o prémio conquistado, bem como a nível internacional onde atingiu o top-50 a nível mundial, permitiu a Jorge Teixeira "ter mais voz".

"Não são apenas palavras, são ações e essas dão-nos mais atenção, as empresas abrem-nos mais as portas, facultam-nos material e incentivam-nos mesmo a concorrer a mais projetos", acrescenta.

O Centro de Recursos de Atividades Laboratoriais Móveis, sediado na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, foi hoje inaugurado e contou com a presença, entre outros parceiros, do presidente da Câmara Municipal de Chaves, Nuno Vaz.

DYMC // MSP

Lusa/Fim

+ notícias: Norte

Estudo mostra que é mais difícil aceder ao Ensino Superior Público no Porto

Entrar numa faculdade pública é mais difícil no distrito do Porto, de acordo com os dados de um estudo do Centro de Investigação em Políticas do Ensino Superior (CIPES). Citado pelo jornal Público e divulgado esta sexta-feira, os estudantes que querem entrar no Ensino Superior Público no Porto têm mais difículdades, do que no resto do pais, devido à oferta reduzida da rede pública e da média de acesso não poder ser inferior a 14 valores para garantir a entrada.

Infraestruturas de Portugal nega cancelamentos nas obras da Linha do Minho

A Infraestruturas de Portugal nega cancelamentos na empreitada de eletrificação da Linha do Minho. Em comunicado, informou que nos primeiros meses de 2021 já será possível a circulação ferroviária, em modo elétrico.

Morte por negligência em hospital do Porto com indemnização acordada após 25 anos

O Estado português aceitou pagar 32.500 euros à família de um homem que morreu há 25 anos durante uma cirurgia para retirar uma pinça esquecida no seu abdómen durante uma operação no Hospital de São João, no Porto.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.