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Coro Casa da Música celebra 10.º aniversário com "Vésperas" de Monteverdi

| Norte
Porto Canal com Lusa

Porto, 18 out 2019 (Lusa) -- O Coro Casa da Música celebra o 10.º aniversário com a interpretação das "Vésperas", de Claudio Monteverdi, "uma das maiores obras primas do barroco inicial", num concerto, no domingo, no Porto, na Sala Suggia, dirigido pelo maestro Paul Hillier.

As "Vésperas", cujo título original é "Vespro della Beata Vergine" ("Vésperas da Virgem Santa", em tradução livre), inserem-se nas comemorações dos 10 anos deste agrupamento, e chegam à sala principal da Casa da Música, pelas 18:00 de domingo.

Num concerto com a Orquestra Barroca, outra formação residente da Casa da Música, é visitada esta coletânea de inspiração mariana, feita para celebrações religiosas, em que Monteverdi "demonstrou a sua mestria nos vários estilos de música sacra, correntes na época".

"Presume-se que o compositor esperasse obter assim uma posição privilegiada sob a asa protetora da Igreja, e seria recompensado em 1613, quando foi nomeado mestre de capela da Basílica de São Marcos, em Veneza", aponta a Casa da Música, no texto de apresentação do concerto.

As "Vésperas" são definidas como "uma das maiores obras primas do barroco inicial", que "ficaram na história", constituindo hoje "um desafio monumental, apenas ao alcance dos melhores intérpretes", escreve a Casa da Música.

A obra de Monteverdi, cuja duração ronda os 90 minutos, foi publicada pela primeira vez em Veneza, em 1610, incluindo introdução, cinco salmos, quatro motetes, a Sonata sobre "Santa Maria", um hino e dois "Magnificat".

Composta ao serviço dos Gonzaga, duques de Mântua, sobre textos litúrgicos em latim, as "Vésperas" foram concebidas para a função litúrgica, prevendo uma versão mais longa, com uma missa ("Missa In illo tempore") e alguns 'concerti' sacros.

Compositor italiano do final do Renascimento e do Barroco inicial, por quem passa a maturação do madrigal e a emergência da ópera, com a música a estabelecer a ação por si mesma, Monteverdi nasceu em 1567, em Cremona, e morreu em 1643, em Veneza.

Data da década de 1580 a publicação dos seus primeiros livros de madrigais, antes da entrada na Corte de Mântua, em 1590, aos 23 anos, onde se manteve durante duas décadas. Aqui atingiu o posto de compositor da corte e aqui estreou aquela que é dada como marco do Barroco, a ópera "L'Orfeo" ou "La Favola d'Orfeo", de 1607, estabelecendo depois dos dramas iniciais dos compositores de Florença.

Seguir-se-ia a posição de mestre de capela da catedral de São Marcos, em Veneza, a partir de 1610, e obras que determinaram a afirmação do Barroco, como "Il Ballo delle Ingrate" (1608), "Tirsi e Clori" (1616), "La Vittoria d'Amore" (1641), numa elaboração cada vez mais sofisticada dos madrigais iniciais, e as óperas "Il Ritorno di Ulisse in Patria" (1641) e "L'Incoronazione di Poppea" (1642).

Paul Hillier, diretor e fundador do Hilliard Ensemble e do Theatre Of Voices, com um percurso de mais de quatro décadas de investigação e divulgação da música vocal/coral pré-romântica, dirige o Coro Casa da Música desde o seu arranque, em 2009, e tem acompanhado o agrupamento nas digressões empreendidas nos últimos 10 anos.

Com 18 cantores, como formação regular, expandindo-se depois conforme as necessidades de repertório, o Coro foi também orientado por nomes como Leopold Hager, Peter Rundel, Olari Elts, Marco Mencoboni e, já este ano, pela maestrina Sofi Jeannin.

O Coro da Casa da Música atua e grava regularmente com os outros agrupamentos da instituição, em particular a Orquestra Barroca. Para o 10.º aniversário definiu como comemoração uma "viagem através dos tempos, que passa pela polifonia renascentista, marcos incontornáveis do barroco e do romantismo e [pela] música escrita nos nossos dias".

Assim, a 'festa' seguirá das "Vésperas" de Monteverdi ao "Stabat Mater" de Dvorák, no alvor do século XX, do "Paulus", de Mendelssohn, na afirmação do Romantismo, à Missa n.º5 de Schubert.

A estas obras juntar-se-á uma encomenda da Casa da Música ao norte-americano Michael Gordon e a composições da finlandesa Kaija Saariaho e da sueca Karin Rehnqvist.

SIF // MAG

Lusa/fim

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