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Summer Camp de Cestaria junta artesãos portugueses e estudantes estrangeiros em Lisboa

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 23 jul 2019 (Lusa) - O Summer Camp de tecnologias de cestaria portuguesa junta cinco artesãos a estudantes de design e arquitetura, provenientes de cinco países, na arte de fazer cestos, até dia 02 de agosto, no Museu de Arte Popular, em Lisboa.

Numa iniciativa promovida pelo Ministério da Cultura, cinco artesãos vindos de Viseu, Guarda, Santarém e Loulé ensinam técnicas ancestrais que serão aplicadas por estudantes em peças desenhadas por estes.

"Esta atividade consiste em adaptar as técnicas ancestrais ao design contemporâneo, numa tentativa de preservar as nossas raízes e tradições", explicou a artesã Isabel Martins, proveniente de Sortelha, na região da Guarda.

Isabel Martins é a última artesã que se dedica ao trabalho do baracejo, uma das matérias-primas trabalhadas no 'summer camp', em Sortelha, na Guarda.

Além do baracejo, os artesãos trazem materiais como o bunho, da zona de Santarém, a junça, de Penedono, em Viseu, a palma, de Loulé, e o vime, de Gonçalo, na Guarda, produzidos em plantações próprias.

A portuense Francisca Patrocínio, estudante de Escultura, na Faculdade de Belas Artes da Universidade Porto, é uma das dez alunas do 'summer camp' e reforça a importância desta iniciativa no "reavivar das artes manuais e do artesanato, de forma a projetá-los para o futuro".

"Esta colaboração de gerações entre estudantes de design, mentores e os mestres funciona como uma partilha de conhecimentos e experiências, que permite valorizar esta arte", disse à agência Lusa.

Francisca compõe a equipa de trabalho do bunho, matéria-prima produzida pelo artesão Manuel Ferreira, de Santarém, que desenvolve a peça "Quebra-Luz", composta por bunho, fio e pedra.

"Esta é uma das peças que vamos desenvolvendo ao longo da atividade, inspirada na esteira tradicional, usada para dormir, mas com 'nuances' atuais", explicou o artesão à agência Lusa.

A arte do vime é ensinada por Fernando Nelas, conhecido na vila de Gonçalo, na Guarda, como o "Fórmula 1 dos cestos", pela rapidez e precisão no trabalho que faz, há 54 anos, disse à Lusa.

As artesãs Ana Paula Abrunhosa, dedicada à junça de Beselga, no distrito de Viseu, e Vanessa Flórido, licenciada em Engenharia Civil, que se dedicou ao artesanato da palma, da região algarvia, completam a equipa de artesãos.

O grupo de estudantes é composto por cinco portugueses, uma italiana, dois franceses e dois alunos provenientes do Chipre e da Polónia.

O 'summer camp' está inserido no plano nacional "Saber-fazer Português", lançado hoje pela área governativa da Cultura, em parceria a organização Michelangelo Foundation for Creativity and Cranftsmanship.

O "Saber-Fazer Português", em que uma das medidas passa pela reabertura do Museu de Arte Popular (MAP), "é dedicado às artes e ofícios e consiste na definição e implementação de medidas para salvaguardar os saberes tradicionais", pode ler-se no documento enviado à imprensa.

"Ao abrir o MAP ao 'summer camp' de cestaria, o Ministério da Cultura pretende deixar clara a sua intenção de que este museu constitua um espaço privilegiado para divulgação e partilha dos saberes tradicionais", pode ler-se na informação oficial.

O 'summer camp' de Cestaria decorre até ao dia 02 de agosto, no Museu de Arte Popular, em Lisboa.

RZDC/MAG // MAG

Lusa/fim

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