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Quercus congratula-se com decisão de não construir a Barragem de Fridão

| Política
Porto Canal com Lusa

Porto, 16 abr 2019 (Lusa) - A associação ambientalista Quercus congratulou-se hoje com a decisão do Governo de cancelar a construção da Barragem de Fridão, no rio Tâmega, considerando que ela era, no fundo, "um negócio de rendas".

"Do ponto de vista económico e de produção de energia não tinha sentido (...). No fundo aquilo era um negócio das rendas das barragens. Porque o que interessava eram as rendas e, deixando cair as rendas, a própria EDP desinteressou-se pela barragem [de Fridão], e ao que parece, nem sequer vai haver indemnizações por causa do cancelamento da barragem", afirmou, em declarações à Lusa, o ex-presidente e atual tesoureiro da Quercus, João Branco.

Para o dirigente, esta decisão, que vem ao encontro do que tem sido a luta da associação sobre esta matéria nos últimos dez anos, é o reconhecimento, da parte do Governo e da EDP, de que a barragem de Fridão "não era necessária, nem economicamente interessante", dando razão aos argumentos que vinham sendo invocados.

"Vemos com alegria, mas também com algum amargo de boca porque as outras barragens do Tâmega acabaram por ser construídas. Ainda assim, acabou por ser uma vitória para os movimentos que lutaram contra as barragens no Tâmega, porque apesar de terem sido construídas as outras barragens, acabou por não se fazer a de Fridão e mantém-se ali uma zona do rio Tâmega ainda selvagem", observou.

Já em 2010, a Quercus, que tinha participado no processo de Consulta Pública de Impacte Ambiental do Aproveitamento Hidroelétrico de Fridão, emitindo um parecer desfavorável à construção desta barragem, alertava para os graves prejuízos ambientais para a região e para o país.

A associação defendia que o avanço deste projeto, de "contributo pouco significativo para a produção elétrica do empreendimento", teria um elevado impacto sobre a fauna e a flora da região, bem como na qualidade da água do rio Tâmega.

"A outra barragem que existe a seguir a Amarante, que é a do Torrão, frequentemente fica infetada por algas azuis, que são venenosas, e isso ir-se-ia passar inevitavelmente na Barragem de Fridão", exemplificou João Branco.

O ministro do Ambiente anunciou hoje no parlamento que a barragem de Fridão, no rio Tâmega, não será construída e que "não há razões para a restituição de qualquer montante" à EDP.

"A decisão relativa a barragem de Fridão está tomada", disse João Pedro Matos Fernandes que falava na Comissão Parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação, adiantando que o Ministério do Ambiente não encontra razão para construir nem para indemnizar a EDP.

Segundo o ministro, houve um desinteresse por parte da EDP que o Estado não contraria, e face a esse desinteresse, não existem razões para a restituição da verba.

No início da atual legislatura, o Governo decidiu suspender a construção do empreendimento, para proceder à sua reavaliação, período que terminou na passada quinta-feira.

A barragem de Fridão, no rio Tâmega, consta há vários anos do Plano Nacional de Barragens, mas uma decisão definitiva sobre a construção daquele empreendimento hidroelétrico, que afeta vários concelhos (Amarante, Cabeceiras de Basto, Celorico de Basto e Mondim de Basto), tem sido sucessivamente adiada, num processo com avanços e recuos ao longo dos anos e de vários governos.

VSYM (GC/RCS/PLI/APM) // MSP

Lusa/Fim

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