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Teatro português tem "falta de textos originais" - diretor da Companhia de Almada

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 14 mar (Lusa) - O diretor artístico da Companhia de Teatro de Almada (CTA), Rodrigo Francisco, considera que, no teatro português, "há uma uma grande falta de textos originais", disse à agência Lusa.

Rodrigo Francisco falava à margem de um ensaio da peça "Fenda", que a companhia estreia na sexta-feira, no Teatro Municipal Joaquim Benite, onde tem sede, em Almada, e que é a primeira peça que redigiu após a morte do anterior diretor artístico da companhia, Joaquim Benite, em dezembro de 2012, e cujas funções assumiu, em 2013.

"Um dos desígnios do [Almeida] Garrett era que houvesse um teatro nacional, que fundou", mas há desígnio "que está por cumprir", que é a "criação de um repertório português", defendeu Rodrigo Francisco.

"Um repertório português contemporâneo", que possa ter peças com "histórias, personagens, cenários, com conflitos de que o público não se sinta afastado", argumentou, à semelhança do que fizeram os gregos quando descobriram o teatro, há mais de dois milénios, e que tinham percebido que "há teatro quando há conflito; quando há uma personagem que diz uma coisa e outra que diz o contrário", observou.

O gosto pelo conflito é "inato" ao ser humano e o diretor artístico da CTA considerou que este gosto explica o motivo pelo qual as pessoas têm uma tendência natural para parar quando assistem a uma discussão na rua ou para gostar de filmes em que no final há sempre um veredicto.

Foi isso que o motivou a escrever esta peça, "Fenda", para "atores, para bons atores", acrescentou, sublinhando resultar de um desafio colocado pela atriz e encenadora Teresa Gafeira -- que esteve na fundação do núcleo do Grupo de Campolide, em 1971, que viria a dar origem à CTA -, por esta considerar que o teatro tem falta de autores portugueses.

Questionado sobre o porquê de atualmente serem encenadas mais peças de autores estrangeiros que de portugueses, Rodrigo Francisco atribuiu-os a várias razões, entre as quais a existência de meio século de ditadura em Portugal. "Mas isso não é desculpa para tudo", frisou.

É preciso esta geração de encenadores, que também são autores, 'dê ao dedo', escreva "teatro para um público que se possa rever naquilo que está em cena", sustentou.

A título de exemplo citou o nome do diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, considerando-o um "autor traduzidíssimo e com uma obra já bastante consistente".

"Quarto Minguante" (2007) e "Tuning" (2010), nomeada pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) para Melhor Texto de Teatro no ano da estreia, foram as outras peças escritas por Rodrigo Francisco, ambas encenadas pelo anterior diretor artístico da CTA -- Joaquim Benite, que morreu em 2012.

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