Canadá, estúdios Aardman e muito cinema português no 18º festival Monstra

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 14 fev (Lusa) - Uma extensa programação dedicada ao Canadá, uma exposição sobre os estúdios Aardman, outra sobre Abi Feijó e Regina Pessoa, e mais de 500 filmes selecionados fazem, em março, o 18.º Festival de Animação de Lisboa, conhecido como Monstra.

O programa deste ano foi hoje apresentado na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, com os programadores Fernando Galrito e Miguel Pires de Matos a desvendarem uma das apostas para a atual edição: O Canadá é o país em destaque, o que significa uma programação com mais de 150 filmes, quatro exposições e mais de uma dezena de convidados, entre os quais a dupla Amanda Forbis e Wndy Tilby e a realizadora Caroline Leaf.

A escolha do Canadá segue à boleia dos 105 anos do nascimento de Norman McLaren, nome histórico do cinema de animação, e dos 80 anos do National Film Board of Canada, um instituto público que financia e produz cinema de animação.

"São muito experimentalistas, dão uma grande liberdade criativa aos seus autores, é um estúdio que promove o cinema de animação enquanto arte e não como uma atividade comercial. É esse legado de liberdade e de criação artística e de experimentação, no sentido de inovação e experimentalismo", explicou à agência Lusa Miguel Pires de Matos a propósito daquele instituto.

Nesta 18.ª edição, que decorrerá de 20 a 31 de março, o festival terá sete longas-metragens na competição internacional, com filmes premiados e exibidos em festivais internacionais, como "Mirai", de Mamoru Hosoda, indicado para os Óscares, "Funan", de Denis Do, premiado em Annecy, e "Tito e os pássaros", produção brasileira de Fustavo Steinberg, André Catoto e Gabriel Bitar.

O Monstra recebeu este ano inscrições de 84 filmes portugueses, todos curtas-metragens, tendo sido selecionados 14.

"Nos últimos dois, três anos, quando vemos as competições portuguesas em Portugal, no caso do Monstra, a qualidade de animação subiu bastante. Há vinte anos havia dois ou três nomes muito importantes. Neste momento há mais estúdios, mais autores que fazem filmes, apresentam-nos em Portugal e depois seguem o circuito normal dos festivais de animação por todo o mundo e ganham prémios", recordou Miguel Pires de Matos.

Embora a competição oficial portuguesa não tenha sido anunciada ainda, sabe-se que "Agouro", de David Doutel e Vasco Sá, e "Entre Sombras", de Alice Guimarães e Mónica Santos, estão selecionados.

Remetendo para a animação portuguesa, o Monstra dedicará uma exposição, na Sociedade Nacional de Belas Artes, aos 25 anos de trabalho conjunto de Abi Feijó e Regina Pessoa, dois nomes de referência do cinema nacional.

No Museu da Marioneta, tal como o Monstra já tinha anunciado, estará patente uma exposição - que é inaugurada hoje - dedicada aos estúdios britânicos de animação Aardman e Peter Lord, um dos fundadores, estará em março no festival para 'masterclasses'.

Da longa programação do Monstra fazem parte ainda concertos, como o que o músico congolês-canadiano Pierre Kwenders dará no Cinema São Jorge com desenho ao vivo pelo português António Jorge Gonçalves, e a atuação de músicos da Escola Superior de Música de Lisboa, que irão interpretar "As quatro estações de Vivaldi", com alunos de universidades japonesas a executarem um programa inovador de sincronização de som e imagem.

A Monstrinha - com cinema de animação escolhido para os mais novos, escolas e famílias - tem já mais de 12.600 inscrições.

"A Monstra caracteriza-se por não ser um festival que tem apenas um tipo de filmes. Dirige-se a muitos públicos diferentes. Quem gosta dos filmes mais familiares ou infantis tem a Monstrinha, tem a história do cinema, quem gosta de saber o que é que se está a passar no cinema de animação pode ver a competição", elencou o programador.

Em 2018, o Monstra contou com mais de 62 mil espectadores e participantes, dos quais 20 mil eram crianças.

SS // MAG

Lusa/fim

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