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Gondomar, Valongo e Paredes exigem "cedências" para irem a concurso de transportes

Gondomar, Valongo e Paredes exigem "cedências" para irem a concurso de transportes
| Norte
Porto Canal com Lusa

As Câmaras de Gondomar, Valongo e Paredes estão disponíveis para não ir isoladamente ao concurso para concessão do serviço público de transportes de passageiros, "desde que haja cedências da parte de outros municípios", revelou hoje o autarca de Gondomar.

"Em nome do espírito e da coesão metropolitana que defendemos, e com o objetivo de promover a mobilidade da população e a sua defesa, estamos disponíveis para reconsiderar não ir isoladamente, desde que haja cedências de parte a parte de vários municípios e estejam todos naquilo que é o contexto metropolitano", disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Gondomar, Marco Martins.

O autarca de Gondomar, que é também coordenador da área dos transportes na Área Metropolitana do Porto (AMP), apontou que as autarquias exigem que sejam respeitados "três princípios base": "o respeito pelas pessoas que precisam de autocarro para ir trabalhar ou estudar, a lógica de coesão metropolitana e cedências de parte a parte".

"Se houver de toda a gente uma vontade de recolocar o tema [transportes e concurso] numa lógica metropolitana, sem ninguém à parte e sem ninguém suspender a delegação de competências, e se houver cedências possibilitando ligações rodoviárias ao centro do Porto - não interessa se é Campo 24 de Agosto, se é Trindade ou Bolhão - estamos dispostos a não ir isoladamente ao concurso e a integrar o concurso global", descreveu Marco Martins.

Hoje decorreu em Valongo uma reunião com as Câmaras de Gondomar, Valongo e Paredes que convidaram cinco operadores para discutir o concurso para a concessão do serviço público de transporte rodoviário de passageiros.

O tema já havia sido levantado pelos presidentes das três câmaras na reunião do Conselho Metropolitano que decorreu em 25 de janeiro, ocasião em que admitiram não integrar o concurso da AMP.

"Vamos ponderar e estudar essa questão dado o aparecimento de novas circunstâncias", disseram durante a reunião no mês passado.

Na mesma data, o presidente da AMP, Eduardo Vítor Rodrigues, assumiu que seria um "problema" se houvesse municípios a não participar no concurso, acreditando, contudo, num consenso porque "interessa a todos".

A reunião de hoje surge após algumas semanas de polémica em torno da decisão da Câmara do Porto, liderada por Rui Moreira, de passar os términos de autocarros de operadores privados provenientes de concelhos vizinhos do Bolhão para o Dragão.

Estava previsto que esta indicação da Câmara do Porto começasse terça-feira, mas não foi cumprida pelos operadores privados de transportes que justificaram a decisão com a ausência de comunicação da AMP.

Na quarta-feira, a Câmara do Porto revelou ao Conselho Metropolitano do Porto que vai suspender a delegação de competências na gestão da rede de transportes públicos naquela entidade e no mesmo dia o coordenador da área dos transportes da AMP, Marco Martins, admitiu colocar o cargo à disposição.

Hoje o presidente da Câmara de Gondomar contou que na reunião foi "incontornável não falar do que tem acontecido nas ruas do Porto", apontando para relatos de "caos", e admitiu que estas três autarquias "já têm estudos" sobre um possível concurso à parte.

"Mas conversamos e não queremos quebrar a coesão, nem a solidariedade metropolitana. Desde que haja um compromisso de todos de que voltamos a gerir isto à escala metropolitana, e não à escala de cada um, não vamos sozinhos. Mas o compromisso e as cedências têm de ser de todos", concluiu.

Também o presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida, frisou hoje "a defesa do bem-estar da população", bem como a convicção de que os vários operadores "têm de estar em circunstâncias de igualdade" para concluir que "para bem da harmonia", os três municípios ponderam não avançar sozinhos.

"Mas, para fazermos essa cedência, é importante que outros também façam cedências", disse o autarca que questionado sobre se estava a referir-se em concreto ao Porto e à transferência de términos de autocarros do Bolhão para o Dragão, sendo que está em curso uma solução provisória que admite a ida de algumas carreiras ao Campo 24 de Agosto, deu o exemplo concreto de Paredes.

"Paredes não é abrangida pelo 'Andante', portanto quando se pede a um utilizador que faça transbordo do autocarro que chega de Paredes ao Porto para o metro no Dragão de forma a chegar ao centro do Porto, isso coloca-o de imediato em situação de desigualdade", disse à agência Lusa o autarca de Paredes.

O convite para a reunião que aconteceu hoje em Valongo partiu das autarquias e foi dirigido à Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros (ANTROP) e a cinco empresas privadas: Auto Viação Landim, Valpi, Albano Esteves Martins & Filhos, Gondomarense e Auto Viação Pacense.

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