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Terras de Trás-os-Montes de fora do plano nacional de investimentos

Terras de Trás-os-Montes de fora do plano nacional de investimentos
| Norte
Porto Canal com Lusa

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes reclamou hoje a revisão do plano nacional de investimentos por nenhuma das pretensões do território constar no documento.

A posição foi assumida numa conferência de imprensa, em Macedo de Cavaleiros, com a presença dos nove presidentes de Câmara da CIM depois de conhecida a versão dos investimentos previstos pelo Governo para o período entre 2020/2030.

Nenhuma das pretensões regionais está inscrita no plano que contém 80 milhões de euros para a coesão nacional em todo o país, quando a Terra de Trás-os-Montes reivindicam mais de metade deste valor só para duas estradas, como apontou o presidente da CIM, Artur Nunes.

Há vários anos que os concelhos de Vimioso e Vinhais reclamam a melhoria da ligação a Bragança, mas nunca foram contemplados nos investimentos públicos. As duas estradas constam de um documento entregue pela CIM ao Governo, aquando da preparação do plano nacional de investimentos, mas a versão conhecida, na quinta-feira, em Conselho de Ministros, não contempla estas pretensões trasmontanas.

O presidente da Câmara de Vimioso, Jorge Fidalgo, adiantou que o Estudo de Impacto Ambiental da estrada, que tem sido travada ao longo dos anos por obstáculos como uma espécie de rato protegida (o Cabrera), deverá avançar para discussão pública em breve.

O projeto está orçado em cerca de 20 milhões de euros, o mesmo valor que ronda a solução pretendida pela Câmara de Vinhais para melhorar a ligação a Bragança, segundo o autarca Luís Fernandes.

Está ligação está em fase de estudo, com três opões possíveis, sendo que a que defende a autarquia "não é a mais dispendiosa", de acordo com o presidente.

O plano nacional de investimentos é para o presidente da CIM Terras de Trás-os-Montes, Artur Nunes, "um documento genérico".

"Gostaríamos de ver no documento vertidas as nossas pretensões, também especificadas com os tempos e com o dinheiro afeto a cada uma das nossas reivindicações", afirmou.

Da análise que fizeram ao plano, os autarcas transmontanos concluem que a coesão apregoada pelo Governo é afinal "o parente pobre deste documento", com apenas 80 milhões de euros para todo o país.

Outra rubrica do plano referente às ligações transfronteiriças também deixa de fora as pretensões regionais com Espanha, nomeadamente as estradas de Bragança a Puebla de Sanábria, a continuação do IC5 que termina em Miranda do Douro e um novo corredor de Macedo de Cavaleiros a Vinhais até La Gudina.

Os 200 milhões previstos no plano para todo o país "também parecem pouco para o investimento transfronteiriço".

"Tendo o Governo intenção de investir em territórios de baixa densidade, em primeiro lugar devem constar no documento efetivamente os investimentos que nós pretendemos e que eles estejam contemplados com verbas adequadas", reiterou.

O plano nacional também não contempla a pretensão regional de transformar o aeródromo municipal de Bragança em aeroporto regional ou da construção de um corredor ferroviário entre o porto de Leixões e fronteira, em Zamora.

A CIM Terras de Trás-os-Montes anunciou que vai solicitar ao Governo e à Assembleia da República uma revisão do plano para que sejam contempladas e especificadas as pretensões regionais.

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