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Pedrógão Grande procura solução para Museu da República que encerra em dezembro

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Porto Canal com Lusa

Pedrógão Grande, Leiria, 13 nov (Lusa) -- O Museu da República e Maçonaria, em Pedrógão Grande, vai encerrar no dia 31 de dezembro, num momento em que a Câmara local negoceia com o proprietário uma solução para o futuro do espólio.

"Apesar da sua manifesta importância nos domínios histórico e cultural, este museu tem sido sistematicamente ignorado em termos de apoios financeiros e institucionais, designadamente por parte do Ministério da Cultura", disse hoje o investigador Aires Henriques, dono daquele espaço cultural, no norte do distrito de Leiria.

Em declarações à agência Lusa, reportando-se a contactos com este ministério quando o titular era Luís Filipe Castro Mendes, Aires Henriques afirmou que "os poderes públicos têm desprezado a qualidade e real importância dos acervos, acentuando o seu caráter particular e a sua pequena dimensão para negar os apoios de que carece para se manter aberto", num concelho do Interior afetado pela desertificação.

"Não compreendem os proprietários do Museu da República e Maçonaria tal desinteresse público, quando ele é atualmente o museu mais significativo a nível nacional no seu género, a avaliar pelas sucessivas visitas de técnicos e requisições de materiais para documentarem exposições organizadas inclusive pela Rede Portuguesa de Museus (RPM)", refere o proprietário numa nota enviada à Lusa.

Aires Henriques realça que o Estado vai "despender em Peniche, no litoral português, quase quatro milhões de euros na instalação do Museu da Resistência e Liberdade, sabendo que idênticos princípios e objetivos são defendidos" pelo museu situado em Troviscais, Pedrógão Grande, "a um custo autárquico que certamente não chegaria aos 05% daquele dispêndio público".

"Trata-se de um dos três raros museus no seu género existentes em Portugal e Espanha, sendo os outros dois em Lisboa e Salamanca", acentua.

O Museu da República e Maçonaria "ganhou notoriedade a partir de 13 de outubro de 2012, quando formalizou com o Grande Oriente Lusitano (GOL) -- Maçonaria Portuguesa um protocolo de colaboração", numa cerimónia em que interveio o grão-mestre do GOL, Fernando Lima.

No entanto, "a sua atividade e colaboração com outras instituições nacionais é muito anterior, designadamente através da cedência de peças e documentação" para as comemorações dos 200 anos da Maçonaria em Portugal (2002) e do centenário da República (2010-2011), entre diversas iniciativas.

"Depois de há praticamente duas décadas desempenhar uma relevante função turística e cultural na unidade de turismo rural Villa Isaura, (...) encerra definitivamente as suas portas ao público no próximo dia 31 de dezembro", de acordo com a nota.

"Face a uma disparidade de poderes, que beneficia sobretudo o litoral rico em desfavor do interior pobre, bem assim como os Museus da RPM contra os museus particulares, não resta outra hipótese que não seja rendermo-nos nesta luta desproporcionada, assumindo a nossa relativa pouca importância, na guarda de um património próprio que amamos", critica o promotor, que gostaria de preservar "uma outra história de amor e luta pelos sagrados princípios da liberdade, igualdade, fraternidade, justiça e tolerância".

A vice-presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Margarida Guedes, disse hoje à Lusa que a autarquia "está em negociação" com Aires Henriques "para encontrar uma parceria" que assegure a permanência das coleções no concelho.

"Já temos um acordo de cavalheiros nesse sentido", acrescentou.

A autarca disse que "os termos do acordo ainda não estão acertados", mas a Câmara pretende "colocar na vila" pelo menos uma parte do acervo.

Em julho, na apresentação do livro "Pedrógão Grande e o Cabril, de encantos mil", de Aires Henriques e Nuno Soares, o presidente da Câmara de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, anunciou estar empenhado na busca de uma solução para o espólio ainda exposto na aldeia de Troviscais.

No dia 31 de outubro, Aires Henriques, autor de várias obras sobre a história da Maçonaria e da resistência ao fascismo, algumas em coautoria com Nuno Soares, recebeu uma delegação liderada pela diretora-geral da DGPC, Paula Silva.

A visita ao museu inscreveu-se nos preparativos da instalação em Peniche do Museu da Resistência e Liberdade, cuja abertura está prevista para 2019.

A delegação incluiu ainda o diretor do Museu do Aljube, Luís Farinha, o diretor da Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), Silvestre Lacerda, e os antigos presos políticos Fernando Rosas (historiador e um dos fundadores do Bloco de Esquerda) e Domingos Abrantes (dirigente do PCP e membro do Conselho de Estado).

O museu de Pedrógão Grande encerra ao público no final deste ano, mas em 2019 o proprietário permitirá ainda a visita de membros das diferentes obediências maçónicas.

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