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Canil das Terras de Santa Maria promoveu mais de 4.000 adoções mas teme por futuras

Canil das Terras de Santa Maria promoveu mais de 4.000 adoções mas teme por futuras
| País
Porto Canal com Lusa

O Canil Intermunicipal das Terras de Santa Maria, distrito de Aveiro, recolheu 13.060 cães e gatos em 10 anos e nesse período promoveu 4.046 adoções, mas receia que a capacidade das famílias para acolher mais animais esteja esgotada.

Localizado em Oliveira de Azeméis, esse equipamento nasceu em 2008 de um investimento de 500.000 euros financiados em 75% pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional e em 25% pela Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, que então integrava Arouca, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Vale de Cambra, e em 2017 se alargou também a Espinho.

"Quando começámos, havia muitos animais na rua, chegámos a recolher 1.626 num só ano" e "quando os proprietários dos animais passaram a ser responsabilizados pelo seu abandono, as recolhas caíram significativamente, ficando-se por 736 em 2017, mas esse número continua a ser muito superior à nossa capacidade e o problema é que o mercado de adoções começa a ficar esgotado", realçou à Lusa Joaquim Santos Costa, secretário-geral da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria (AMTSM), entidade que é responsável pelo canil.

Atualmente, o canil da AMTSM tem 220 animais ao seu cuidado e, desses, 95% são cães. Para os acomodar, a estrutura dispõe de 61 celas, sendo que 51 delas têm oito metros quadrados de área coberta e descoberta, podendo receber um máximo de oito animais em simultâneo, quando esses são de pequeno porte.

O orçamento anual da estrutura é suportado pelas seis autarquias e ronda os 60.000 euros. Desse valor, metade refere-se a custos fixos com funcionamento do espaço e recursos humanos, pelo que se reparte em parcelas iguais pelos seis concelhos, e os restantes 30.000 euros têm um peso variável por município consoante o número de recolhas efetuadas no respetivo território, sendo que a estadia de cada animal custará uma média de dois euros por dia.

Para Joaquim Santos Costa, o facto de a 23 de setembro passar a ser proibido o abate de animais não reclamados não irá perturbar o funcionamento do canil da AMTSM, uma vez que, naquele espaço, a medida foi abandonada “mal a respetiva lei foi aprovada".

A preocupação da sua equipa é sobretudo com a diminuição registada nas adoções, já que "a maioria das famílias com recursos e sensibilidade para acolher estes animais já tem um ou vários em casa e não pode estar sempre a receber mais, o que significa que um cão poderá ficar no canil por um número de anos indeterminado, sempre a dar despesa e a ocupar o espaço de outros que deviam ser retirados das ruas".

Desde que o Canil Intermunicipal das Terras de Santa Maria entrou em funcionamento, o ano de 2012 foi aquele em que se registaram mais adoções, com 514 cães e gatos errantes a entrarem para novas famílias. Nos anos seguintes a adoção ficou-se por 399 a 420 casos a cada 12 meses e, em 2017, esse número foi ainda mais reduzido, descendo para 289 acolhimentos.

Aquando da adoção de um animal, “nós fazemos a esterilização e desparasitação do animal, damos-lhe as vacinas e oferecemos o chip de identificação", realçou Joaquim Santos Costa, alertando, contudo, que “é preciso que as pessoas pensem bem se podem assumir esta responsabilidade”.

“Caso decidam que sim, venham escolher o animal que querem levar consigo", disse o responsável, que na base de dados do Sistema de Identificação e Recuperação Animal está indicado como "pai" dos 220 animais atualmente à guarda do canil da AMTSM.

Entre esses ocupantes, o que aí está há mais tempo é o cão da cela 43, que “entrou no canil em janeiro de 2016, com uns dois meses de idade, e, ao fim de três anos, continua à espera que alguém o queira levar para casa", lamentou a engenheira Susana Silva, da AMTSM, resistindo à tentação de acrescentar mais um elemento à sua já numerosa família de cães e gatos.

Fátima Alcarpe, outra colaboradora do canil, partilha da preocupação da colega e garante que o n.º 43 daria alegria a qualquer casa, por ser “um macho de pelo cerdoso castanho claro" que "seria um bom ‘cãopanheiro'”.

“Só é preciso que se apaixonem por ele", concluiu Fátima.

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