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Associação Comercial do Porto considera "irrealista" calendário de obras em Leixões

| Economia
Porto Canal com Lusa

A Associação Comercial do Porto (ACP) considerou esta sexta-feira "irrealista" o calendário de obras no Porto de Leixões apresentado pelo Ministério do Mar, dadas as intervenções necessárias na infraestrutura portuária e os constrangimentos na atividade portuária.

Atualizado 04-08-2018 11:48

O Ministério do Mar anunciou hoje, em comunicado, que os investimentos no Porto de Leixões e no Novo Terminal de Contentores estão "em linha com o calendário inicialmente previsto", considerando, por isso "erradas" as afirmações feitas pela ACP na quarta-feira, relativamente aos investimentos previstos.

Em nota de imprensa, a ACP reafirma hoje as acusações então feitas: "o calendário apresentado no comunicado do Ministério do Mar é completamente irrealista, dadas as intervenções necessárias na infraestrutura portuária e os constrangimentos que, ao contrário do que refere a administração da APDL, provocarão impactos no porto de pesca, dadas as necessidades não só de instalação do terminal como do parqueamento dos contentores".

No dia em que Governo e a Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo (APDL) criticaram as considerações da mais antiga associação empresarial portuguesa, a ACP insistiu que o Porto de Leixões "necessita hoje, apenas, de um Cais a -14m, algo que é possível materializar num espaço de três anos".

E precisou: "a abordagem, todavia, tem de ser diferente daquela que o Governo está a seguir pois, nesta, não vale a pena pensar num tempo de execução inferior a sete anos".

Frisando que os comunicados do Ministério do Mar e da APDL "fundamentam a profunda preocupação" da ACP relativamente "à autonomia, à gestão e à falta de investimento no porto de Leixões", alerta aquela associação que a "APDL não pode ser uma sucursal do Ministério do Mar".

Considerando gratuita e sem qualquer fundamento, em face da realização do estudo "Terminais Portuários e Infraestruturas Logísticas em Portugal", a acusação de "falta de iniciativa no sentido de manifestar alguma preocupação sobre estas matérias", a ACP resumiu a sua intervenção no processo.

O estudo, segundo a ACP, "foi enviado ao Ministério do Mar a 29 de junho de 2016", acompanhado de um "pedido de audiência", sendo que "nem o estudo nem o pedido de audiência mereceram qualquer resposta ou comentário", o mesmo sucedendo com outra solicitação em 2017.

Argumentando ter o Plano Estratégico do Porto de Leixões sido "amplamente discutido pelos atores do porto", onde "se inclui a ACP, através da Comunidade Portuária", observou que o documento "nunca foi tornado público, nem pela anterior administração, que o promoveu em 2016, nem pela atual", numa "atitude de secretismo que representa um retrocesso face ao Plano Estratégico anterior, relativo ao período 2004/2015".

Neste contexto, e dado que o Novo Terminal de Contentores a -14 metros "foi abordado já no Plano 2004/2015", considera a ACP que "qualquer redução de calendário agora não será uma virtude, mas um desespero face à necessidade urgente de operar navios que necessitem de fundos a -14 metros".

E conclui: "em contentores, por falta deste Cais (Terminal), o Porto de Leixões, nestes últimos três anos, perdeu três Linhas de Navegação e não conseguiu ganhar duas".

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