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Ordem dos Médicos diz que possíveis demissões em hospitais são fruto de “desgaste”

| Norte
Porto Canal com Lusa

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, disse esta sexta-feira que os cenários de possíveis demissões em vários hospitais do país são fruto do "profundo desgaste porque surgem muitas promessas, mas as condições não aparecem".

Atualizado 04-08-2018 11:37

Em declarações à agência Lusa, Miguel Guimarães que comentava a situação denunciada esta semana no hospital de Vila Nova de Gaia sobre doentes internados em macas no Serviço de Urgência, referiu: "É uma situação que nos preocupa, mas é uma situação crónica. Não é por acaso que médicos de vários hospitais e de várias chefias estão a pensar demitir-se".

Hoje o Jornal de Notícias publica uma peça com o título "Médicos ameaçam bater a porta em mais três hospitais", citando casos nas unidades de Vila Real, Vila Nova de Gaia e Faro, uma situação que "não surpreende" a OM, cujo bastonário pede "mais respeito a quem tem o poder e pode mudar alguma cosia".

"É preciso dar condições a estes heróis que trabalham em condições degradantes. Vestem a camisola e substituem-se uns aos outros de forma a não existirem falhas, mas depois não sentem respeito, não sentem a compensação. Ouvem-se promessas, mas as coisas não aparecem e não funcionam. As pessoas estão desacreditadas e, para dar um grito de alerta para a sociedade civil, demitem-se", disse à Lusa Miguel Guimarães.

O bastonário pediu aos deputados que vão "muito mais longe" na sua intervenção no Parlamento e junto da tutela e saudou a proposta do PCP, promulgada quinta-feira pelo Presidente da República, que estabelece a obrigatoriedade de procedimento concursal para recrutamento dos médicos recém-especialistas que concluíram com aproveitamento a formação específica.

"É importante conseguirmos sinais positivos da tutela, porque os médicos não estão a pedir melhores remunerações, apenas pedem melhores condições", disse Miguel Guimarães.

A propósito das demissões nos hospitais, a Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte) escreveu hoje, em comunicado, que não há conhecimento dessa intenção no que diz respeito ao Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

"O conselho diretivo desta ARS não tem conhecimento de igual ou semelhante intenção", lê-se na nota.

Quanto a situação idêntica em Vila Real, é apontado pela ARS-Norte: "De realçar, tal como já foi devidamente esclarecido pelo próprio Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, o referido Serviço de Ginecologia e Obstétrica, nos últimos anos, tem vindo a ser reforçado com profissionais médicos".

Já sobre o caso do internamento de doentes em macas no Serviço de Urgência do hospital de Gaia - situação que hoje voltou a ser confirmada à Lusa pela Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, segundo a qual são atualmente dez os doentes nestas condições - Miguel Guimarães apontou que pretende "inteirar-se do que se passa e eventualmente visitar em breve o hospital".

"Tenho conhecimento que no Serviço de Urgência do hospital estão a acontecer alguns problemas, nomeadamente no número de doentes que estão a acorrer à urgência, e a situação é recorrente, não é uma situação que acontece hoje, de existirem doentes internados em macas em condições que não oferecem dignidade nem aos doentes, nem aos médicos que lá trabalham", disse o bastonário da OM.

"Vou falar com o diretor clínico para perceber o que se passa e fazer ponto de situação na sequência das declarações da Ordem dos Enfermeiros e tentar visitar o mais rápido quanto for possível o hospital", acrescentou.

Esta manhã, em comunicado, o CHVNG/E garantiu que esta situação "estará resolvida no fim da próxima semana", admitindo uma "prática incorreta que se iniciou em 2015".

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