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Medidas protecionistas não são ainda razão de revisão em baixa - Moscovici

| Economia
Porto Canal com Lusa

Bruxelas, 12 jul (Lusa) -- O comissário europeu dos Assuntos Económicos disse hoje que as medidas protecionistas tiveram, até ver, um "impacto limitado" e não são a razão da ligeira revisão em baixa do crescimento da economia europeia, mas advertiu que tal pode mudar.

Pierre Moscovici falava, em Bruxelas, na conferência de imprensa de apresentação das previsões económicas intercalares de verão da Comissão Europeia, que reviu hoje em ligeira baixa o crescimento da economia europeia para este ano, antevendo que abrande para os 2,1% na zona euro e na União Europeia, quando na primavera antecipava 2,3%.

"É importante sublinhar que estas previsões, relativamente favoráveis, ainda assim, estão expostas a riscos negativos que não queremos subestimar. E, claro, o risco principal relaciona-se com o comércio", disse, aproveitando a ocasião para fazer um "parêntesis" sobre as disputadas comerciais provocadas pelos Estados Unidos.

"O impacto das medidas protecionistas já postas em prática foi limitado, e por isso não vamos argumentar que essa é a explicação principal da ligeira revisão em baixa, mas o risco de escalada está bem presente, e se se materializar, o que ainda não é o caso, pode ter impacto no crescimento, não só das economias europeias, mas também dos nossos parceiros comerciais, a começar pelos EUA", declarou.

Voltando ao assunto numa fase mais adiantada da conferência de imprensa, reforçou que "as tensões comerciais estão no centro da avaliação de risco" levada a cabo por Bruxelas, e sublinhou que as previsões macroeconómicas de hoje têm em consideração as medidas protecionistas já implementadas, mas "várias medidas adicionais estão a ser consideradas e poderiam provocar retaliações se implementadas", com inevitáveis riscos de consequências negativas para as economias dos países envolvidos.

Moscovici reiterou que "as guerras comerciais não produzem vencedores, apenas vítimas" e considerou que seguir esse caminho "não é razoável nem racional".

Depois de nos dois anteriores exercícios de previsões macroeconómicas -- as do inverno (em fevereiro) e da primavera (em maio) -- ter antecipado um crescimento do PIB de 2,3% este ano tanto no espaço da moeda única como no conjunto da União Europeia, o executivo comunitário, nas suas previsões intercalares de verão hoje divulgadas, indica que "após cinco trimestres consecutivos de expansão vigorosa, a dinâmica económica abrandou no primeiro semestre de 2018", levando a uma revisão em baixa de 0,2 pontos percentuais.

Embora acredite que "a dinâmica de crescimento se fortaleça de alguma forma durante o segundo semestre do ano", e que continuam a estar reunidas "as condições fundamentais para um crescimento económico sustentado", com as perspetivas de "uma melhoria das condições do mercado de trabalho, um declínio do endividamento das famílias, e a manutenção de uma elevada confiança do consumidor e de uma política monetária que apoia", Bruxelas adverte, todavia, para a "crescente incerteza".

"Ainda que o recente desempenho económico robusto já tenha dado provas de resiliência, as previsões continuam à mercê de riscos negativos significativos, que aumentaram desde a primavera", adverte Bruxelas, apontando então em concreto para a ameaça de escalada das tensões comerciais, iniciadas pela administração norte-americana liderada por Donald Trump, que hoje mesmo se encontra em Bruxelas, para a cimeira da NATO.

ACC // MSF

Lusa/fim

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