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Escritora Yvette Centeno é homenageada hoje no Festival de Almada

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Porto Canal com Lusa

Almada, Setúbal, 12 jul (Lusa) -- A escritora, professora, investigadora Yvette Centeno é homenageada hoje no 35.º Festival de Almada, tornando-se na 34.ª personalidade ou instituição ligada ao teatro reconhecida publicamente pelo certame organizado pela Companhia de Teatro de Almada (CTA).

A cerimónia decorrerá, às 22:00, no palco grande da Escola D. António da Costa, em Almada -- o centro nevrálgico do certame --, e antecede a representação de "Alegria", espetáculo que a Companhia Pippo Delbono traz a esta edição do festival.

"Quantas vidas cabem numa só vida?", questiona a professora auxiliar na Universidade de Évora Carla Ferreira de Castro, a propósito da homenageada, num texto publicado no programa, aludindo à sua obra literária, que aborda a ficção, a poesia, o teatro, estando publicada em várias línguas, mas também ao percurso de Centeno como professora, tradutora, investigadora, ensaísta, da literatura às artes e à música.

Na vida de Yvette Centeno, "os cambiantes são muitos, pois diversos são os caminhos trilhados por alguém cuja energia transformadora sempre conseguiu alcançar o improvável equilíbrio de articular, com singular mestria, distintas áreas da palavra, o primeiro pilar do seu labor, com as artes pictóricas e a música", acrescenta de imediato a professora universitária sobre a propósito da catedrática de ascendência germano-polaca, nascida em Lisboa, em 1940.

Cofundadora do Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), do Centro de Investigação do Imaginário Literário e do Gabinete de Estudos de Simbologia da Universidade de Lisboa, responsável por propostas dramatúrgicas para o Grupo Cénico de Direito da Universidade de Lisboa, foram alguns dos projetos e organismos a que Yvette Centeno esteve ligada.

Licenciada em Filologia Germânica e doutorada com uma tese sobre "A alquimia no Fausto de Goethe", Yvette Centeno criou a área disciplinar de Estudos Teatrais, que materializou num mestrado, dirigiu o Serviço de Animação, Criação Artística e Educação pela Arte (Serviço Acarte), e foi consultora para a Educação e Cultura da Fundação Calouste Gulbenkian.

A primeira pessoa a ser homenageada pelo Festival de Almada foi Eunice Muñoz, em 1985, na segunda edição do certame.

O espetáculo "A alegria", concebido e dirigido pelo italiano Pippo Delbono, sucede à homenagem a Yvette Centeno, no palco grande do festival.

Depois de, nas edições de 2014 e de 2017, ter apresentado "Orquídeas" e "Evangelho", respetivamente, peças em que fazia o luto da mãe, o criador italiano, que no início da década de 1980 fundou uma companhia própria, regressa agora ao certame com uma proposta de esperança.

Palhaços, xamãs, damas circenses, acordes melancólicos e máscaras "vestem" este espetáculo de Pippo Delbono com que o criador recuperou a alegria através da abordagem do mundo de sobrevivência dos que mais sofrem, como os refugiados, lê-se no programa do festival.

"Sintam a vossa própria loucura" é uma das frases ditas pelo encenador durante o espetáculo, num repto deixado ao público, à semelhança do que já fizera nos espetáculos anteriores.

A continuação da oficina "O sentido dos mestres", dirigida este ano pela coreógrafa Olga Roriz, é outra das propostas neste nono dia da edição deste ano.

"Colónia Penal", "Carmen", "Nada de mim", nos teatros do Bairro, da Trindade e da Politécnica, em Lisboa, são outras das propostas em cena, no programa de hoje do certame.

Vinte e quatro produções, nove das quais portuguesas e 15 estrangeiras, 11 concertos de entrada livre e quatro espetáculos de rua preenchem a edição deste ano do Festival de Almada, a decorrer até ao próximo dia 18, em vários espaços da cidade de Almada em algumas salas de Lisboa.

Esta edição tem a programação "possível", nas palavras do diretor do Festival e da Companhia de Teatro de Almada (CTA), organizadora do certame, num ano em que o apoio atribuído pela Direção-Geral das Artes (DGArtes), que inclui a verba para a companhia e para a produção do Festival, sofreu "um corte de 25% do total", frisou.

CP // MAG

Lusa/fim

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