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Pedrógão Grande: Corpos de bombeiros têm mais dificuldade no recrutamento

| País
Porto Canal com Lusa

Castanheira de Pera, Leiria, 14 jun (Lusa) -- O recrutamento de operacionais é a principal dificuldade dos corpos de bombeiros na região atingida pelo incêndio que eclodiu há um ano em Pedrógão Grande, onde a perda de população não abrandou nas últimas décadas.

Os responsáveis das associações humanitárias de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no norte montanhoso do distrito de Leiria, partilham esta opinião, realçando que a falta de emprego leva sobretudo os mais jovens a procurar trabalho em municípios vizinhos ou mesmo mais distantes.

"Muitos conseguem emprego noutros concelhos e acabam por desistir", afirma à agência Lusa o presidente da direção dos Bombeiros Voluntários da Castanheira de Pera.

Baltazar Lopes salienta que se trata de "um problema transversal" do Interior, onde "a população ativa é muito reduzida" e o voluntariado acaba por enfrentar obstáculos que não se verificam nas zonas mais populosas de Portugal.

Ainda assim, oito novos bombeiros, homens e mulheres, reforçaram em maio o corpo ativo dos Bombeiros Voluntários da vila, comandado por José Domingues, que conta atualmente 75 operacionais.

Um bombeiro da Castanheira de Pera morreu e uma viatura de combate a incêndios ardeu no dia 17 de junho de 2017.

"Ganhámos agora oito novos bombeiros, mas há um ano perdemos cinco", lamenta, ao recordar que, além da morte de Gonçalo Conceição, de 40 anos, quatro operacionais ficaram feridos com gravidade e ainda estão em tratamento.

Baltazar Lopes admite que "pelo menos três" venham a poder retomar a atividade, numa unidade de bombeiros que, em maio, estreou cinco novas viaturas.

A congénere de Pedrógão Grande tem atualmente 59 elementos no ativo, a que se juntarão em julho nove estagiários que realizaram a formação.

Em maio, um bombeiro do corpo local, de 54 anos, morreu num acidente de viação, enquanto um colega passou ao quadro de reserva, refere à Lusa o comandante, Augusto Arnaut.

"Temos agora 45 elementos mesmo operacionais", descontando os que têm disponibilidade reduzida, explica.

Estes são geralmente jovens que "procuram as suas vidas" fora do concelho.

"É um grande problema que temos e ninguém vê isso", sublinha Augusto Arnaut, um dos arguidos da investigação do Ministério Público à tragédia de há um ano, que provocou a morte a 66 pessoas.

Os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande dispõem atualmente de 25 viaturas, algumas delas novas, número que ainda este ano deverá aumentar para 27.

"Embora com mais dificuldades de meios humanos", o comandante entende que a equipa está "devidamente preparada" e apetrechada para enfrentar o verão que se aproxima.

José Carlos Quintas é o presidente da direção dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos, após ter ganho as eleições realizadas em outubro de 2017, com a participação de duas listas.

"Estamos bem organizados para darmos resposta em tempo útil" às populações, apesar de "alguma dificuldade no voluntariado", já que alguns bombeiros têm de "trabalhar por esse país fora", afirma à Lusa.

A unidade operacional, comandada por Paulo Renato, dispõe de 85 homens e mulheres no corpo ativo, 10 dos quais iniciaram funções em maio, apoiados por cerca de 25 viaturas.

No entanto, "existe a dificuldade em constituir algumas equipas no verão", admite José Carlos Quintas.

Os dirigentes ouvidos pela Lusa concordam que as associações de bombeiros dos três concelhos estão "bem apetrechadas", tendo recebido donativos nos últimos 12 meses, tanto de particulares, como de entidades nacionais e estrangeiras, que minimizaram eventuais carências ao nível do equipamento.

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