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Venezuela: Pelo menos dois feridos em protesto de presos políticos

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Caracas, 17 mai (Lusa) - Pelo menos duas pessoas ficaram feridas, na quarta-feira, durante um motim ocorrido na prisão dos serviços secretos venezuelanos, na sequência de um protesto de um grupo de presos políticos.

O grupo exigiu ser apresentado a tribunal porque alguns estão detidos há três anos, sem que tenha sido iniciado um julgamento. Os presos querem também cuidados médicos e a execução de ordens judiciais de libertação já emitidas.

Segundo a deputada venezuelana Delza Solórzano, alguns dos presos foram "brutalmente espancados" por funcionários da polícia política e "aparentemente vários deles teriam sido torturados".

Várias organizações não-governamentais (ONG) indicaram que mais de 200 pessoas estão detidas naquele estabelecimento, incluindo 54 dos 238 presos políticos da Venezuela. Os tribunais concederam já liberdade sob fiança a 20 destes detidos, mas as ordens ainda não foram executadas.

Um dos presos políticos, Lorent Saleh, disse telefonicamente à cadeia de televisão norte-americana CNN que são sujeitos diariamente a agressões e apelou à população de outras prisões venezuelanas para se unirem ao protesto.

"Vamos resistir. Abusaram de nós durante tanto tempo, agrediram-nos tanto que perdemos o medo de tudo", frisou.

Entretanto o procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte, Tareck William Saab, anunciou que o Ministério Público enviou uma delegação em resposta às denúncias dos presos políticos.

"Da conversa realizada entre representantes do Ministério Público e os privados de liberdade, manifestámos a vontade de realizar as respetivas coordenações com as autoridades competentes, o sistema penitenciário e de justiça, para resolver a situação", escreveu Saab na sua conta do Twitter.

As autoridades venezuelanas disseram que a situação está sob controlo, mas através das redes sociais presos e familiares desmentiram.

Em comunicado, a Conferência Episcopal Venezuelana pediu às autoridades e instituições do país que respeitem a vida e os direitos humanos dos detidos e procurem uma solução pacífica para os problemas dos detidos.

A 29 de março último, pelo menos 68 pessoas morreram durante um motim no Comando Geral da Polícia de Carabobo, na cidade de Valência, a 150 quilómetros a leste de Caracas.

A causa da morte da maioria das vítimas (68 presos e duas visitantes) terá sido asfixia, na sequência de um incêndio alegadamente provocado pelos presos.

No entanto, várias ONG e familiares das vítimas denunciaram que os presos foram maltratados, borrifados com gasolina e incendiados.

Cinco polícias foram detidos pela alegada responsabilidade pelos acontecimentos que levaram à morte de 68 presos.

FPG // EJ

Lusa/Fim

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