Jornal Diário Jornal das 13

A arquitetura de Marina Tabassum e a autoestima necessária para o desenvolvimento

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 14 mar (Lusa) - Além de um museu e de uma escola para 9.000 alunos, a arquiteta Marina Tabassum está também a projetar um 'resort' de luxo, perto das residências construídas para pessoas com parcos recursos, em Daca, capital do Bangladesh.

Professora em Harvard e na Universidade do Texas, nos Estados Unidos, professora no Bangladesh, onde fundou um atelier com o seu nome, Marina Tabassum defende a responsabilidade da arquitetura na "melhoria da autoestima e da autoconfiança nas camadas mais desfavorecidas", como "motor de desenvolvimento das sociedades".

O modelo de casas de 2.000 dólares norte-americanos (cerca de 1.600 euros), para famílias de poucos recursos financeiros, "com verbas reunidas em comunidade", é um dos projetos com o seu nome. Outro, que constitui uma das obras emblemáticas do ateliê da arquiteta, é uma mesquita em Daca, que lhe valeu o Prémio Aga Khan, em 2016, uma construção feita à base de materiais locais, "pois só assim se consegue construir a preços baixos".

Daí que a arquiteta opte sempre por mão-de-obra e materiais locais, como forma de "impulsionar a economia".

Para Marina Tabassum, os governos têm a sua parte de responsabilidade nesta "revolução" na arquitetura, mas, para si, a principal responsabilidade "é dos arquitetos".

"Todos temos muita responsabilidade e não podemos ficar de braços cruzados à espera que os governos façam", concluiu.

De origem indiana, nascida em Daca, Marina Tabassum pertence a uma geração mais jovem de arquitetos do Bangladesh que reage às condições da prática arquitetónica da sua região, tendo em conta as constantes mudanças e alterações na paisagem.

O informalismo dos edifícios e da forma de habitar e, também, os processos adaptativos que formam a vivência e os meios de subsistência das pessoas são elementos-chave da sua prática.

Marina Tabassum licenciou-se pela Universidade de Engenharia e Tecnologia (University of Engineering and Technology, BUET), do Bangladesh, e é a diretora académica do Bengal Institute for Architecture, Landscapes and Settlements.

Professora convidada da BRAC University desde 2005, em Daca, lecionou também na Universidade do Texas, em Arlington, no outono de 2015, e atualmente é professora na Graduate School of Design da Universidade de Harvard, ambas nos Estados Unidos.

Recebeu o prémio Aga Khan de Arquitetura de 2016 pelo seu projeto da mesquita de Bait ur Rouf, em Daca. É também autora do Museu e Monumento da Independência do Bangladesh, durante a sua parceria com Kashef Chowdhury, no atelier de arquitetura URBANA.

Tabassum dirige o atelier de arquitetura MTA - Marina Tabassum Architects -, no Bangladesh, fundado em 2005.

Os seus projetos podem ser vistos em www.mtarchitekts.com.

Marina Tabassum falou na terça-feira, em Lisboa, sobre "Construir no Bangladesh", no âmbito das Conferências da Garagem do Centro Cultural de Belém.

CP // MAG

Lusa/fim

+ notícias: País

Taxistas abertos a diálogo se lei incluir a definição de contigentes de carros

Os motoristas de táxi estão dispostos a pôr fim aos protestos que duram há três dias se a lei passar a contemplar a fixação, pelos municípios, do contingente de carros para aluguer de passageiros, disse um dirigente associativo.

Passageiros do Alfa Pendular de Lisboa a Braga obrigados a mudar de comboio no Porto

Os passageiros da CP (Comboios de Portugal) que pagam bilhete para o Alfa Pendular de Lisboa para Braga, são obrigados a prosseguir viagem, a partir do Porto, num comboio suburbano. Nas últimas semanas a situação tem sido recorrente, o que deixa os passageiros indignados.

Chamas na Covilhã controladas, parque de campismo vai reabrir

O incêndio que deflagrou este sábado na zona da Covilhã, Castelo Branco, está controlado e em fase de rescaldo e vigilância, disse à Lusa o presidente da Câmara da Covilhã, Vítor Pereira.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.