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Álvaro Santos Pereira defende consenso político para "reformas imediatamente após eleições"

| Política
Porto Canal com Lusa

Cascais, Lisboa, 14 mar (Lusa) -- O ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, defendeu hoje que "há reformas que têm de acontecer" em Portugal "imediatamente" após as eleições legislativas do próximo ano, em áreas como a Administração Pública e a Segurança Social.

"Eu sou suspeito porque estive num Governo que fez reformas, mas se tomarmos como objetivo global [...], Portugal fez o que devia ter feito e estamos a beneficiar com isso, com o maior crescimento económico das últimas duas décadas", afirmou o também economista chefe em exercício da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Intervindo (através de videoconferência, de Paris) na cimeira organizada pelo jornal The Economist, em Cascais, Lisboa, sobre crescimento económico, Álvaro Santos Pereira ressalvou, contudo, que "há riscos e muito a fazer", vincando que "a nova onda de reformas tem de acontecer imediatamente após as eleições [legislativas] de 2019".

"Têm de ser reformas estratégicas e com o maior consenso [político] possível. Muitas vezes pensa-se que não é possível os partidos chegarem a acordo, mas eu dou sempre o exemplo do México", referiu, aludindo ao "pacto entre os principais partidos mexicanos [...] que se juntaram para fazer reformas na concorrência para aumentar o potencial económico e que estão a dar resultados".

Para Álvaro Santos Pereira, "Portugal tem de fazer a mesma coisa em 2019", sendo, a seu ver, "importante que, depois das eleições, os principais partidos políticos cheguem a consenso em áreas fundamentais".

Em causa estão reformas na Administração Pública e na Segurança Social.

No que toca à Administração Pública urge, para o antigo governante, dar "mais responsabilidade" e "mais poder à Função Pública, retirando cargos políticos - o mais possível - da Administração Pública".

Quanto à Segurança Social, "já foi feita uma grande reforma há 10 anos, mas em todos os países do mundo estamos todos, felizmente, a viver mais tempo - até aos 85 anos - e, se nada for feito, nenhum país vai conseguir manter os seus sistemas de Segurança Social".

"Uma reforma da Segurança Social que faça com que a idade da reforma aumente -- as pessoas não gostam, mas vai ter de ser feito -- e reforçar os mecanismos para garantir a sustentabilidade", precisou.

Outra reforma que também é necessária, de acordo com Álvaro Santos Pereira, é na área educativa.

"Na área educativa, Portugal foi o país da OCDE que mais evoluiu desde o ano 2000. Portugal é um exemplo, mas é importante passar para uma nova fase", adiantou.

Analisando a evolução económica dos últimos anos, Álvaro Santos Pereira reconheceu as "importantes reformas" feitas, em áreas como a liberalização do turismo, do licenciamento zero e da melhoria da concorrência.

"As reformas estão a dar frutos", concluiu.

ANE// ATR

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