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Fronteira Norte de Portugal/Galiza é a "mais dinâmica" entre os dois países

| Norte
Porto Canal com Lusa

Porto, 11 mar (Lusa) -- A fronteira do Norte de Portugal com a Galiza é a "mais dinâmica" entre os dois países, mas persistem "problemas graves" que carecem de maior articulação dos respetivos governos, assinalou a vice-presidente da comissão de desenvolvimento regional do Norte.

"Este lado da fronteira entre Portugal e Espanha é o mais dinâmico de todos", destacou Ester Silva, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e membro do Conselho Superior do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal (AECT -- GNP).

Este agrupamento, criado em 2008 e com o primeiro ato em 2010, permitiu àquela que foi a primeira comunidade de trabalho transfronteiriça em Portugal ter personalidade jurídica para formular um plano de atividades, conceber um orçamento e ter uma ação concreta sobre um território que abrange, segundo dados de 2015, 6,5 milhões de cidadãos.

Ao longo de quase dez anos, foi feito um trabalho de cooperação estratégica e de proximidade, tendo sido possível "imprimir uma dinâmica de desenvolvimento que permitiu uma certa equiparação" do Norte com a Galiza, assinalou a responsável.

Para além da criação de uma estratégia de especialização inteligente e de um plano de investimentos conjuntos, fazem parte das iniciativas levadas a cabo pelo AECT projetos como o IACOBUS de mobilidade académica na eurorregião, os 'Job Days' de promoção de contratação de trabalhadores, o ARIEM para gestão conjunta de emergências na fronteira, o Programa Literário Nortear, entre outros.

Graças ao IACOBUS foi promovido, em 2017, o intercâmbio de 73 docentes, 35 investigadores e 19 funcionários administrativos. Já os 'Job Days' de 2017 permitiram juntar empresas do setor das Tecnologias de Informação e Comunicação e celebrar 42 contratos de trabalho.

O sucesso do ARIEM levou à criação de uma nova edição, estando a ser preparado um plano para resposta conjunta a situações de emergência, como incêndios, e que deverá estar concluído no final de 2019.

Apesar de todo o trabalho, esta ainda é uma fronteira "com problemas graves em termos de vulnerabilidades económica e demográficas", destaca Ester Silva, para quem "as medidas que foram desenvolvidas até ao momento procuram contrabalançar essa tendência, embora não sejam suficientes".

"Há várias outras matérias que têm de ser olhadas no âmbito transfronteiriço e que passam por uma melhor articulação entre os governos de Portugal e de Espanha", assinala.

Para a vice-presidente da CCDR-N, "há constrangimentos que vão além daquilo que os governos locais ou regionais podem fazer e que exigirão um investimento e a atribuição de uma prioridade ao nível central".

Mesmo entre a Galiza e o Norte de Portugal, há ainda "níveis de desenvolvimento diferente", com a região espanhola já "em transição", não sendo "uma das regiões menos desenvolvidas, de acordo com os critérios da UE".

"No caso do Norte, ainda somos uma região relativamente desfavorecida", lamentou Ester Silva, acrescentando ser por isso que o Norte tem, em alguns aspetos, "condições mais apelativas", nomeadamente salários mais baixos e terrenos industriais com preços mais reduzidos, para empresas que, por isso, escolhem esta localização, em detrimento da Galiza.

Contudo, destaca, "não se trata apenas de uma questão de preço" e se o Norte não tivesse, agora, "mais mão-de-obra qualificada do que no passado", a par de boas infraestruturas, esta deslocalização não acontecia.

Ainda assim, realça, "quanto maior for a ligação em termos de cooperação com a Galiza", mais pode o Norte aprender com aquela região e "mais pode retirar da sua experiência" e verter para o seu próprio desenvolvimento.

"Falamos de concorrência, mas com uma dinâmica de cooperação. A única forma de Norte e Galiza se afirmarem como competitivas à escala global é numa lógica de interação", defende, destacando que entre Portugal e a Galiza há uma "fronteira bastante permeável" onde "a interação é grande", sem comparação com outros pontos.

Esta permeabilidade é, assim, "a prova" de que com todo o trabalho feito, foi possível "esbater o efeito fronteira" entre o Norte de Portugal e a Galiza.

LIL // MSP

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