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PSD confronta PM com despacho que permite 850 horas extraordinárias em debate tenso

| Política
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 14 fev (Lusa) -- O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, desafiou hoje o primeiro-ministro a explicar um despacho do seu Governo, segundo o qual os trabalhadores do Porto de Lisboa podem fazer até 850 horas extraordinárias por ano.

Na resposta, o primeiro-ministro disse desconhecer o despacho, mas que, se era da autoria dos ministros do Mar e do Trabalho, "estaria com certeza bem".

O despacho tem data de 12 de julho de 2017, assinado pela ministra Ana Paula Vitorino e pelo ministro Vieira da Silva, e refere um regime excecional do trabalho suplementar para o porto de Lisboa, segundo o qual "a duração anual do trabalho suplementar por trabalhador não poderá exceder as 850 horas".

A questão foi colocada por Hugo Soares a propósito da situação da Autoeuropa, tendo o líder parlamentar do PSD perguntado por várias vezes a António Costa se considerava existirem "limites morais e éticos" ao trabalho extraordinário, sem ter resposta a esta pergunta por parte do primeiro-ministro.

Já sobre a fábrica de Palmela, Costa sublinhou a sua importância económica e manifestou o desejo de que "o diálogo social reencontre o sucesso" que caracterizou a empresa por várias décadas.

"A pior coisa que podemos fazer, se queremos que haja sucesso, é procurar confundir o debate e diálogo entre as partes com combate político ou partidário", apelou.

O debate quinzenal entre o primeiro-ministro e o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, atingiu hoje um tom mais duro do que o habitual, apesar de António Costa até ter saudado o hoje ausente Pedro Passos Coelho.

No início do debate com Hugo Soares, António Costa fez questão de se referir ao ainda presidente do PSD, que dará lugar a Rui Rio no Congresso do próximo fim de semana.

"Apesar da sua ausência, não queria deixar publicamente de o saudar, temos estado quase sempre em divergência, mas não quero deixar de o saudar pela forma dedicada como procurou servir o país segundo aquela que era a sua leitura", afirmou António Costa.

Já quanto a Hugo Soares, cujo futuro na liderança parlamentar ainda é incerto, o primeiro-ministro disse acreditar "não ser ainda a altura" de despedidas.

Na resposta, Hugo Soares fez questão de responder ao que chamou de "provocação".

"Eu para fazer estes debates consigo bastou-me ter os votos da bancada atrás de mim, o senhor para fazer estes debates comigo teve de juntar os votos de outros", disse.

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