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Incêndios: Agricultores de Monção destacam intervenção "excecional" do Estado

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Porto Canal com Lusa

Monção, Viana do Castelo, 14 (Lusa) - O presidente da Associação de Agricultores do Minho (AGRESTA) afirmou hoje que a intervenção do Estado após os incêndios de outubro de 2017 "foi excecional", mas alerta para "aproveitamentos" no negócio de venda da madeira das áreas ardidas.

"Os serviços do Estado foram excecionais no caso dos fogos em Monção. Prontos, eficazes e disponíveis. Nós, como agentes do associativismo local temos outras preocupações", afirmou à agência Lusa, Américo Reis, lamentando a falta de "mecanismos de defesa na venda do material queimado e que os proprietários não recebam o justo por aquilo que é deles e que perderam por causa de outrem".

O presidente da AGRESTA defendeu que "o Governo devia determinar um preço mínimo para a venda do pinhal ardido", para impedir que ocorram "aproveitamentos e as pessoas tenham de vender ao desbarato a sua floresta".

Em Monção, os incêndios de outubro de 2017 consumiram "completamente" cerca de cinco dos seis mil hectares da Zona de Intervenção Florestal (ZIF) de Monção, gerida pela AGRESTA.

Três meses após os incêndios florestais, Américo Reis avisou que, "face à obrigatoriedade de limpeza dos terrenos junto às casas e junto às estradas, decretada pelo Governo", o Estado deve ainda "acautelar o pagamento às empresas de prestação de serviços de limpeza florestal".

"Esses serviços são adjudicados a grandes empresas nacionais que depois subcontratam a empresas locais por preços muito baixos. Isto vai trazer problemas futuros, porque as empresas depois não conseguem ter tesouraria suficiente [e] estão a trabalhar praticamente de graça para as grandes empresas nacionais".

Para o responsável, o Estado deve "estar atento" para em "projetos de limpeza financiados não deixar subcontratar por determinados valores, de forma a que haja alguma saúde financeira nos pequenos empresários locais".

O presidente da AGRESTA acrescentou que, em Monção, "as indemnizações já estão a ser pagas" aos agricultores e produtores florestais mais afetados, destacando a "prontidão" que se seguiu aos fogos de 15 de outubro.

"Vi prontidão nas ações dos técnicos da Direção Geral de Agricultura do Norte, totalmente disponíveis para ajudar os agricultores e produtores florestais no levantamento dos prejuízos e na elaboração das candidaturas para serem ressarcidos dos prejuízos que sofreram e foi notório o empenho dos funcionários das autarquias", destacou.

E acrescentou: "no caso dos fogos florestais de Monção, o que se viu a seguir de intervenção dos Estado, das autarquias e de outras as entidades que trabalham na fileira agroflorestal foi de relevar, pela positiva".

Anunciou ainda que em fevereiro, "a AGRESTA vai avançar com o cadastro dos terrenos da ZIF de Monção para e, em 2019, de todos as restantes propriedades florestais".

ABYC//LIL

Lusa/Fim

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