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Variação do kwanza ajuda reservas internacionais mas pressiona inflação

| Economia
Porto Canal com Lusa

Londres, 13 jan (Lusa) - A Economist Intelligence Unit considera que a variação cambial do kwanza ajuda a estabilizar as reservas internacionais angolanas, mas aumenta a pressão sobre a inflação, que terminou o ano passado em valores próximos dos 30%.

"A decisão de terminar a longa indexação do kwanza ao dólar deve ajudar a estabilizar as reservas internacionais, que caíram de 28 mil milhões de dólares no final de 2014, para cerca de 14 mil milhões no final de 2017", escrevem os peritos da unidade de análise económica da revista britânica The Economist.

Num comentário enviado aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, os analistas alertam que "dado que o valor do kwanza deve descer significativamente, potencialmente até 20 ou 30%, a alteração também deve aumentar a pressão sobre a inflação, que ficou nos 27,56% em dezembro".

A moeda angolana fechou na terça-feira com uma depreciação total de 16% face ao euro, passando a moeda europeia a ser a referência para o mercado de câmbios de Angola, após um leilão de divisas realizado pelo Banco Nacional de Angola (BNA), o primeiro no âmbito do novo regime flutuante cambial em vigor desde o princípio do mês.

Esse leilão, que permitiu a colocação de 83,6 milhões de euros em divisas, "montante integralmente absorvido" pelos bancos comerciais que participaram, permitiu, segundo o BNA, apurar uma taxa média ponderada de venda de 221,26 kwanzas por cada euro, baixando praticamente 16%, segundo cálculos feitos pela Lusa, face aos anteriores 186 kwanzas.

Já com os efeitos da indexação do kwanza angolano ao euro, a cotação oficial apurada pelo BNA para comprar um dólar norte-americano ficou-se nos 185,5 kwanzas, o que por sua vez representa uma depreciação de mais de 10% para a cotação oficial de segunda-feira, de acordo com o cálculo feito pela Lusa.

Para os analistas da Economist, esta alteração legislativa, "combinada com um sistema de câmbio que procura eliminar ainda mais o acesso privilegiado [a moedas estrangeiras] de algumas instituições estatais, pode também estimular a economia, reavivando algumas transações congeladas, especialmente entre as petrolíferas com problemas em pagar os bens e serviços externos".

Desde meados de 2015 que o kwanza tem vindo a desvalorizar-se face ao dólar, caindo de 97,5 para 166,7 kwanzas por dólar em abril de 2016, data da última atualização oficial. No entanto, acrescenta a EIU, "o diferencial entre as taxas oficiais e as taxas no mercado negro continuam substanciais, sendo necessários 400 kwanzas para um dólar no mercado informal".

MBA (PVJ) // PJA

Lusa/Fim

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