Jornal das 13 Jornal Diário Último Jornal

Zero diz que todos os consumidores de luz pagam incineração de Lisboa e Porto

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 10 nov (Lusa) - Os ambientalistas da Zero afirmam que todos os consumidores de eletricidade pagam os subsídios recebidos pelas unidades de incineração de resíduos de Lisboa e Porto, como se produzissem energia renovável, mas a queima de lixo resulta em emissões.

Segundo as contas da Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, as unidades de incineração de Lisboa e Porto - a Valorsul e a Lipor- "têm estado a receber 28 milhões de euros por ano a partir dos consumidores de eletricidade", um dinheiro extra que recebem para além da energia que produzem, sendo "uma benesse que os governos têm dado a estas unidades para queimarem resíduos".

"Grande parte desse dinheiro vem de consumidores que estão fora dos sistemas de Lisboa e Porto", afirmou à agência Lusa Rui Berkemeier, da Zero, acrescentando que "há um fluxo de 20 milhões de euros que vem dos consumidores de eletricidade do interior e de zonas que não são Lisboa e Porto, para que seja mais barato tratar o lixo" nestas duas áreas metropolitanas.

Para a Zero, trata-se de um sistema que "favorece quem vive nas grandes metrópoles e prejudica quem vive no interior do país".

Além do aspeto de "justiça social e de coesão do país", há também a vertente ambiental, no lixo, considerada "muito grave", segundo a Zero, que analisou a atribuição de subsídios dados às operações de incineração de resíduos urbanos nas duas unidades de Lisboa e Porto, baseada na consideração de que a energia obtida é uma energia renovável.

"Consideramos isso errado porque grande parte dos resíduos que são queimados, como plásticos e materiais sintéticos libertam carbono fóssil, portanto, a incineração é globalmente uma operação que promove a libertação de gases com efeito de estufa e não devia ser incentivada como energia renovável", como a solar, o biogás ou a eólica, afirmou Rui Berkemeier.

As unidades "têm estado a receber dinheiro para queimar resíduos que não deviam estar a receber e isso tem desincentivado a reciclagem", acrescentou.

A meta de reciclagem para Portugal é de 50% em 2020 - "as zonas de Lisboa e Porto estão numa taxa que ronda 27% a 28%" -, portanto, conclui "não vai atingir essa meta".

Rui Berkemeier critica o facto de os governos terem estabelecido metas de reciclagem mais baixas para as zonas que têm incineração, nomeadamente Lisboa e Porto.

Na zona do Porto é 35% e de Lisboa é 42%, enquanto nas zonas rurais, onde é mais difícil reciclar, é de 80% o que, acrescenta, "é mais uma injustiça".

"Portugal, como não está a apostar a sério na reciclagem nas grandes metrópoles de Lisboa e Porto, vai falhar as metas de reciclagem", resume o ambientalista.

Para a Zero, "é fundamental que se altere este financiamento aos incineradores e que o Governo estabeleça metas de reciclagem muito mais elevadas para as zonas do litoral e grandes cidades do que para as zonas do interior e aldeias".

A Associação defende a subida da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR) para quem envia lixo que pode ser reciclado para aterro ou incineração e a opção de premiar quem aposta na reciclagem.

EA // HB

Lusa/Fim

+ notícias: País

Testemunha diz que irmã identificou Pedro Dias como sequestrador

A testemunha Dulce da Conceição disse hoje, em tribunal, que a sua irmã, Lídia da Conceição, identificou Pedro Dias como o homem que a sequestrou numa casa em Moldes, no concelho de Arouca, em 16 de outubro de 2016.

Quase metade das mulheres vítimas de violência nunca contou a ninguém

Quase metade das mulheres que foram vítimas de violência nunca contou a ninguém pelo que os casos relatados são "apenas uma fração da realidade", denunciou hoje o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE).

Portugueses estão a pagar taxa indevida de gás natural

Os contribuintes estão a pagar uma taxa a mais na fatura do gás natural desde o início do ano. O Governo prometeu passar a taxa de ocupação do subsolo para as empresas fornecedoras de energia, mas até agora ainda não legislou sobre a matéria.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DESCUBRA MAIS