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Sete mil anos de "territórios, memórias, identidades" de Loulé no Museu de Arqueologia

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Porto Canal com Lusa

Lisboa, 19 jun (Lusa) -- Mais de sete mil anos de ocupação humana estão retratados na exposição "Loulé -- territórios, memórias, identidades" que é inaugurada na quarta-feira, no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e no Museu Municipal de Loulé.

A inauguração da exposição, em Lisboa, conta com a presença do ministro da Cultura, Luís Filipe de Castro Mendes, cujo avô era arqueólogo e natural de Loulé.

A mostra divide-se em vários núcleos que revelam os achados arqueológicos que melhor testemunham a história do concelho de Loulé, desde a Pré-história à Idade Medieval, passando pelas épocas Romana e Islâmica.

"Aqui, tudo fala de um tempo antes da História, em que a África estava unida À Europa, e ao mesmo tempo tudo esconde", escreve Lídia Jorge, natural da cidade algarvia, no catálogo da exposição.

E acrescenta: "Hoje, passados milhares de anos, o movimento é semelhante. As Terras de Loulé continuam a ser um lugar pacífico, um lugar mãe, um lugar de receber todo aquele que vier por bem. Que outras palavras usar? São sempre banais as palavras de quem ama."

Comissariada por Victor S. Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa, Helena Catarino, da Universidade de Coimbra, e Luís Filipe Oliveira, da Universidade do Algarve, a mostra, que retrata o maior e mais povoado concelho do Algarve, decorre de um protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e a Direção-Geral do Património Cultural, celebrado em março de 2016.

A mostra é composta por um acervo proveniente de várias instituições portuguesas, nomeadamente do Museu Nacional de Arqueologia, que, desde 1984, integra a coleção reunida pelo algarvio Estácio da Veiga, que se propusera a criar o Museu Arqueológico do Algarve.

Trezentos metros quadrados são ocupados pela mostra no Mosteiro dos Jerónimos, que ocupa dez vitrines e nove ilhas, divididas em três secções e oito núcleos, acrescendo ainda oito ecrãs LCD onde é exibida informação sobre cada um dos núcleos.

Na secção Memórias, são apresentados, por ordem cronológica, seis núcleos -- Pré-história, Proto-história, Época Romana, Antiguidade Tardia, Época Islâmica e Época Medieval -, enquanto na secção Identidades se celebram os rostos dos cuidadores, achadores e doadores de bens culturais louletanos, humanizando e trazendo para a atualidade a importância do património cultural na ligação aos lugares.

Na secção Territórios, o primeiro espaço da exposição, dá-se a conhecer a heterogeneidade do território de Loulé, que se divide entre a serra, que representa 45% do território, o barrocal, que ocupa 40% do concelho com solos calcários, e litoral, apenas 15% do concelho.

Ao todo foram inventariados 1.200 bens culturais para a realização da mostra, dos quais 504 foram selecionados e 166 restaurados.

Oitenta por cento dos bens cedidos foram-no pelo Museu Municipal de Loulé e pelo Museu Monográfico do Cerro da Villa (Vilamoura). Os restantes foram cedidos pelo Museu Nacional de Arqueologia, Arquivo Municipal de Loulé, museus municipais de Faro, da Figueira da Foz e de Arqueologia de Silves, entre outros.

CP // MAG

Lusa/fim

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