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Pedrogão Grande: Especialista defende ordenamento e valorização adaptados a nova realidade

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 19 jun (Lusa) - A especialista Helena Freitas alertou hoje para a necessidade de avançar com o ordenamento florestal e a valorização de uma atividade económica adaptada às novas condições de abandono do interior, mas também de alterações climáticas, construindo uma alternativa.

"Não havendo gente [no interior], temos de viabilizar uma floresta mais adaptada a essa realidade e contar com associações que façam uma gestão viável", disse a professora da Universidade de Coimbra, na área da Ecologia, realçando que "o que correu mal" no incêndio iniciado em Pedrogão Grande, que causou 62 mortes, "é o que corre mal há décadas".

A coordenadora da unidade de missão para valorização do interior defendeu a urgência de uma intervenção de políticas públicas já que, "atualmente, a realidade é diferente, por isso, é preciso construir uma alternativa".

Quanto às causas do incêndio que lavra desde sábado e já afeta três concelhos, Helena Freitas listou o abandono da propriedade e das atividades económicas que permitiam manter um território equilibrado, como o pastoreio e a limpeza natural da floresta, sem substituição por outra forma de gestão.

"Deixámos de viver lá, deixamos de cuidar, deixou de ter valor", resume.

Por isso, apontou ser indispensável definir e avançar rapidamente para uma estratégia com soluções de gestão "ajustadas à nova realidade, valorizando a floresta".

Lamentou que não se tenha avançado com a reforma florestal aprovada, concretizando algumas das suas medidas, com as quais "não se resolve o problema, mas começa-se a enfrentá-lo", e criticou a monocultura de eucalipto que "torna a situação mais complexa".

"O caso de Pedrogão Grande, em que, segundo o autarca, terá ardido 95% da floresta, é uma oportunidade de começar do zero o planeamento" do território, disse ainda Helena Freitas.

O fogo, que deflagrou às 13:43 de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 62 mortos civis e 135 feridos, entre os quais 121 civis, 13 bombeiros e um militar da GNR. Dos 135 feridos, sete estão em estado grave: cinco bombeiros voluntários e dois civis. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O anterior balanço dava conta de 62 feridos.

Além de Pedrógão Grande, existem quatro grandes fogos a lavrar nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, mobilizando um total de cerca de 2.150 operacionais, 654 veículos e 16 meios aéreos.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira.

EA // JPF

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