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Pedrógão Grande: Associação de empresas florestais perspetiva "verão trágico"

| País
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 19 jun (Lusa) -- O presidente da Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) perspetivou hoje um "verão trágico para o setor florestal", na sequência do incêndio que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande e matou, pelo menos, 62 pessoas.

Remetendo para mais tarde "uma análise e avaliação ao que se passou", Pedro Serra Ramos antecipou já um "verão trágico para o setor florestal", tendo em conta que em meados de junho já se contabilizam mortos e uma "dimensão [de área ardida] na floresta que é impensável".

"Vamos começar a pensar onde é que vamos buscar madeira para a indústria que temos", referiu o dirigente da ANEFA, que recusou relações entre o incêndio e "mão criminosa", dado a "floresta queimada custar muito mais a trabalhar" e os preços serem semelhantes entre a madeira queimada e a que não está.

O incêndio no centro do país é para o dirigente "uma morte anunciada", tendo em conta as "alterações do ponto de vista climatérico ao longo do último inverno e primavera" e com o "não fazer-se nada do ponto de vista florestal há quatro anos".

"Era uma questão de tempo acontecer uma desgraça como esta", acrescentou à agência Lusa.

Pedro Serra Ramos criticou que, entre os países europeus, apenas em Portugal diminua a área florestal, "por não se investir no setor".

O responsável garantiu ainda que as medidas anunciadas pelo Governo para a floresta são "tudo menos uma reforma, porque reformar implica uma mudança".

"E o que assistimos foi uma saída de um pacote legislativo que é mais do mesmo e que não vai alterar a situação, que se tem vindo a degradar ao longo dos últimos anos, continuando-se a cortar e nada fazendo para aumentar a área, seja ela de que espécie for", referiu.

O responsável defendeu um "trabalho coordenado" entre indústria, produção, prestadores de serviços e o "próprio Estado, enquanto líder do processo" e o fim do funcionamento do setor com base num "voluntariado que não existe e é subsidiado".

"O setor tem que ser tratado com profissionais, que se pagam", afirmou.

Fonte da Associação Portuguesa de Seguradores informou estarem peritos no terreno para recolherem dados e apenas depois dessa compilação e análise haverá um balanço.

O fogo, que deflagrou na tarde de sábado, em Escalos Fundeiros, concelho de Pedrógão Grande, alastrou depois aos concelhos vizinhos de Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, no distrito de Leiria, e entrou também no distrito de Castelo Branco, pelo concelho da Sertã.

O último balanço dá conta de 62 mortos civis e 62 feridos, dois deles em estado grave. Entre os operacionais, registam-se dez feridos, quatro em estado grave. Há ainda dezenas de deslocados, estando por calcular o número de casas e viaturas destruídas.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira.

PL // MSF

Lusa/fim

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