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PGR acusa Presidente do Brasil, Michel Temer, de obstrução à Justiça

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Porto Canal com Lusa

São Paulo, Brasil, 19 mai (Lusa) - O Presidente do Brasil, Michel Temer, e o senador afastado Aécio Neves atuaram em conjunto para impedir o avanço das investigações de corrupção da Operação Lava Jato, anunciou hoje o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot.

A acusação consta no documento que a Procuradoria Geral da República (PGR) dirigiu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e que está na origem na abertura do inquérito contra o chefe de Estado brasileiro.

Segundo Janot, Aécio Neves, em articulação com outros políticos, incluindo o Presidente, tentou impedir o avanço da operação Lava Jato sugerindo a escolha de delegados da polícia corruptos para a condução das investigações.

"Assim, vemos a possível prática do crime de obstrução da justiça", destaca Rodrigo Janot, no documento enviado ao magistrado do STF, Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato.

O PGR também considera que Michel Temer cometeu os crimes de corrupção passiva e formação de organização criminosa.

O Presidente brasileiro foi envolvido diretamente num escândalo de corrupção causado por um acordo judicial firmado pelos irmãos e donos da produtora de carne brasileira JBS, Joesley Batista e Wesley Batista.

No seu acordo de colaboração com a Justiça, o empresário Joesley Batista entregou uma gravação secreta que compromete o chefe de Estado brasileiro.

O empresário também confessou que desde 2010 que subornava Michel Temer, segundo documentos divulgados hoje pelo STF.

O pedido de abertura de inquérito assinado pelo Procurador-Geral destaca que a gravação entregue pelo empresário mostra que Michel Temer deu "aval" para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da câmara baixa brasileira, atualmente a cumprir pena de prisão por corrupção.

Após a divulgação das gravações, Michel Temer anunciou quinta-feira, em comunicação pública, que não renunciava e alegou que as investigações do STF provarão que está inocente.

CYR // EL

Lusa/Fim

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