Jornal das 13 Jornal Diário Último Jornal

Um ano depois, Presidente de Taiwan continua à procura de nova relação com Pequim

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Taipé, 19 mai (Lusa) - Taipé pediu a Pequim para reativar os mecanismos de diálogo e negociação, suspensos unilateralmente há um ano, depois da eleição de Tsai Ing-wen, a Presidente nacionalista que continua a defender nova relação com a China.

O Conselho para os Assuntos da China Continental de Taiwan (CACC) indicou que o "Governo insiste em manter os atuais mecanismos entre as duas partes do Estreito da Formosa, tendo em conta os direitos e interesses do povo".

O mesmo órgão reiterou "o compromisso de manter o 'status quo'" na relação com a China continental, ou seja, não declarar a independência da ilha.

A Presidente, do Partido Democrático Progressista, instou Pequim a confrontar-se com "novas realidades, novas interrogações e novas formas" nas relações bilaterais e na situação no estreito.

"Recordamos à China que umas relações estáveis no estreito são benéficas para todos, incluindo Taiwan, a China continental e outros países da região", acrescentou a responsável.

Desde que tomou posse a 20 de maio de 2016, depois de derrotar Ma Ying-jeou, candidato do Kuomintang (nacionalista e defensor de uma aproximação a Pequim), o discurso de Tsai não se alterou e a intenção de manter o 'status quo' no estreito tem sido declarada em várias ocasiões.

Os pilares de Tsai em relação à China são o respeito da vontade popular, cumprimento dos princípios democráticos e salvaguarda da liberdade de escolha da população em relação a Pequim.

As relações entre Taiwan e a China não atravessam o melhor momento devido à insistência do gigante asiático para que Tsai aceite o chamado "Consenso 1992", como condição para a restauração das relações e afrouxamento das pressões internacionais sobre a ilha.

O "consenso 1992" refere-se a um entendimento tácito alcançado em 1992 entre a China e Taiwan, na altura com um governo liderado pelo Kuomintang (nacionalistas), de que só existe uma China, deixando aos dois lados uma interpretação livre sobre o significado.

Após a vitória da primeira mulher na presidência da ilha, Pequim interrompeu as negociações e contactos oficiais com Taipé, enviou navios e aviões militares para zonas mais próximas da Formosa, e tem procurado isolar o Governo de Tsai.

Uma das medidas foi conseguir, em dezembro passado, que São Tomé e Príncipe reconhecesse Pequim e cortasse as relações diplomáticas com Taipé.

Apenas 21 países e governos mantêm atualmente relações oficiais com Taiwan e a maioria do mundo e das Nações Unidas não reconhecem formalmente a ilha, mas mantêm importantes relações económicas.

O Vaticano, único Estado europeu com relações diplomáticas com Taiwan, está a negociar uma aproximação com Pequim, o que pode resultar numa mudança de laços.

A situação entre a China continental e a ilha agravou-se também na sequência de um telefonema entre Donald Trump, a 02 de dezembro passado, depois de ter vencido as eleições presidenciais norte-americanas, e Tsai.

A República Popular da China conseguiu também impedir a participação dos representantes da República da China em reuniões da Organização de Aviação Civil Internacional e na Assembleia Mundial de Saúde, principal órgão de decisão da Organização Mundial de Saúde (OMS), que começa na segunda-feira em Genebra.

Taiwan condenou a decisão e pediu à OMS para considerar que o objetivo do organismos é contrário a qualquer exclusão.

"Qualquer ação que exclua e pressione Taiwan não só é contrária aos objetivos da OMS e injusta para a população da ilha, como também tem efeitos negativos imprevisíveis na saúde mundial", indicou em comunicado o gabinete da Presidente Tsai.

"Nunca sucumbiremos à pressão de Pequim e continuaremos a fazer ouvir a nossa voz na comunidade internacional e lutaremos pelo nosso direito a participar em organizações internacionais", disse o CACC.

Para o Governo chinês, Taiwan só poderá participar em atividades de instituições internacionais se aceitar o princípio de "uma só China".

Só assim e mediante consultas entre Taipé e Pequim, "será possível finalizar acordos para a participação de Taiwan" em fóruns internacionais.

A atual posição chinesa "causa tensão na região e ansiedade entre as populações" dos dois lados do estreito, afirmou em janeiro a Presidente.

A ilha é independente desde 1949, data em que os nacionalistas do Kuomintang (KMT) ali se refugiaram depois de terem sido derrotados pelos comunistas, que fundaram, no continente, a República Popular da China.

Pequim considera Taiwan parte da China, que deverá ser reunificada, se necessário pela força.

EJ // PJA

Lusa/Fim

+ notícias: Mundo

Morreu Charles Manson, um dos criminosos mais famosos dos Estados Unidos

Um dos criminosos mais famosos dos Estados Unidos Charles Manson, líder de uma seita que nos anos 1960 matou várias pessoas, morreu com 83 anos no domingo à noite, anunciaram responsáveis da administração penitenciária da Califórnia.

PR angolano exonera comandante da polícia e chefe da secreta militar

Luanda, 20 nov (Lusa) - O Presidente angolano exonerou hoje o comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, e o chefe da secreta militar, general António José Maria, nomeando respetivamente, para os mesmos lugares, o comissário-geral Alfredo Mingas e o general Apolinário José Pereira.

Zimbabué: Partido no poder reúne-se hoje para analisar moção de censura

Harare, 20 nov (Lusa) -- O partido no poder no Zimbabué, ZANU-PF, vai reunir-se hoje para analisar a apresentação de uma moção de censura no Parlamento contra Robert Mugabe, noticia o jornal The Source, de Harare.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DESCUBRA MAIS