Jornal Diário Jornal das 13 Último Jornal

Presidente do Eurogrupo coloca o seu futuro nas mãos dos países da zona euro

| Economia
Porto Canal com Lusa

Bruxelas, 20 mar (Lusa) -- O presidente do Eurogrupo admitiu hoje em Bruxelas que, quando houver um novo ministro das Finanças holandês, caberá aos países da zona euro tomar uma decisão sobre o seu cargo, mas sublinhou que tal ainda poderá "levar alguns meses".

"Como sabem, o meu mandato vai até janeiro [de 2018] e a formação de um novo governo de coligação na Holanda pode levar alguns meses. Ainda é muito cedo para dizer se vai haver um hiato entre a chegada do novo ministro e o final do meu mandato", salientou Jeroen Dijsselbloem, à entrada para uma reunião do Eurogrupo.

Contudo, "nesse caso, se houver um intervalo temporal" entre a entrada em funções de um novo ministro e o final do seu mandato, "caberá ao Eurogrupo decidir como querem proceder", admitiu Dijsselbloem, que não vai ser reconduzido como ministro das Finanças no seu país, dada a derrota histórica do seu partido (PvdA) nas eleições da passada quarta-feira.

"Penso que discutirei [esta questão] com os ministros nos próximos meses. Vamos utilizar o tempo que temos para olhar em frente e ver que soluções eles preferem", concluiu.

Os ministros das Finanças da zona euro reúnem-se hoje em Bruxelas, num encontro com uma agenda pouco preenchida, mas que deverá proporcionar discussões informais sobre a presidência do Eurogrupo, na sequência dos resultados eleitorais na Holanda.

O PvdA (Partido do Trabalho, da família socialista europeia), que nos últimos quatro anos governou em coligação com o VVD (centro-direita) do primeiro-ministro Mark Rutte, sofreu uma derrota histórica nas eleições, passando de 38 para nove deputados, pelo que dificilmente fará parte do próximo governo holandês - ou terá um peso muito relativo numa coligação mais alargada liderada pelo VVD, vencedor do escrutínio -, o que significa que Dijsselbloem deixará de ser ministro das Finanças.

Um alto responsável do Eurogrupo já indicara na semana passada que "o processo de formação de um novo Governo [na Holanda] pode levar algum tempo, e durante esse tempo Jeroen Dijsselbloem manter-se-á como ministro das Finanças de gestão e também como presidente do Eurogrupo", mas, uma vez formado um novo governo em Haia, o fórum de ministros das Finanças da zona euro poderá decidir eleger um novo presidente sem esperar pelo final do mandato, no início do próximo ano.

O mesmo responsável explicou que, legalmente, Dijsselbloem poderá concluir o seu mandato mesmo não sendo já ministro das Finanças do seu país, já que "o que as regras atuais dizem é que um candidato [à presidência do Eurogrupo] tem que ser ministro das Finanças", o que sucedia quando o holandês concorreu, em meados de 2015, a um segundo mandato de dois anos e meio, batendo o ministro espanhol Luis de Guindos.

No entanto, várias fontes europeias consideram altamente improvável que Dijsselbloem permaneça à frente do Eurogrupo uma vez perdido o cargo de ministro das Finanças holandês, um cenário mais que provável agora, e perante o qual o fórum de ministros da zona euro deverá decidir antecipar a sua sucessão, sem esperar pelo final do mandato.

Já este mês, por ocasião da reeleição do presidente do Conselho Europeu durante uma cimeira em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, mostrou-se favorável a uma mudança "rápida" na liderança do fórum de ministros das Finanças da zona euro, para que seja possível ter também no Eurogrupo "um novo presidente, capaz de dar um sinal positivo para a construção dos consensos que são essenciais para uma zona euro mais estável e que seja um fator de união entre todos os países da zona euro".

ACC // JNM

Lusa/fim

+ notícias: Economia

Portugal é o país da zona euro que mais corta dívida pública até 2023

O FMI estima que Portugal consiga reduzir a dívida pública para perto de 105% do PIB até 2023, uma redução superior a 20 pontos percentuais e que é a mais forte da zona euro nos próximos seis anos.

Sindicato dos trabalhadores da função pública exige aumentos salariais

Os sindicatos dos trabalhadores da função pública exigem aumentos salariais. Dizem que as progressões nas carreiras não implicam um aumento real de vencimentos e destacam que os funcionários do Estado há mais de 20 anos que não vêm os salários atualizados de forma justa.

Ryanair assegura que disputa laboral não garante indemnização em voos cancelados

A transportadora aérea Ryanair garantiu esta quarta-feira que o cancelamento de voo devido a disputa laboral não prevê compensação ao abrigo da norma EU261, em resposta a uma informação da empresa AirHelp de há dois dias.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

RELACIONADAS

DESCUBRA MAIS