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Entre milhares a assistir, houve pedido para dar nome de Mário Soares à av. da Liberdade

Entre milhares a assistir, houve pedido para dar nome de Mário Soares à av. da Liberdade
| País
Porto Canal com Lusa

Milhares de pessoas concentraram-se hoje junto ao cemitério dos Prazeres, em Lisboa, num último adeus a Mário Soares, havendo quem pedisse que o ex-Presidente da República desse o nome à atual avenida da Liberdade.

Quando o armão que carregava a urna começou a percorrer a rua Saraiva de Carvalho, pelas 15:46, eram, segundo a polícia, já cerca de 3.000 as pessoas que ladeavam a rua ou a rotunda em frente ao cemitério dos Prazeres, além das várias dezenas que assistiam nas varandas ou à janela dos prédios.

Homem de liberdade, pai da democracia, que ajudou o país após o 25 de Abril, foram algumas das razões apontadas por muitas das pessoas com quem a Lusa falou para justificarem a razão de se virem despedir do antigo Presidente da República.

Para Sónia Raposo, os motivos para estar presentes são claros: “Soares é único”.

“Ele de facto é um marco na história recente de Portugal, não só pelo passado antifascista, como depois do 25 de Abril. É uma figura única no nosso Portugal dos dias de hoje”, explicou, lembrando que recorda Mário Soares como alguém que lutou por um ideal de liberdade, respeito por outros, mesmo os que não pensavam da mesma maneira.

Sónia Raposo aproveitou ainda para deixar um pedido: “Que a Avenida da Liberdade fosse Avenida da Liberdade Mário Soares”.

Já Ercília Costa aproveitou para lembrar os tempos da guerra colonial e dos militares que “morreram para nada”, defendendo que se não fosse por Mário Soares “continuava a morrer mais gente”.

Opinião semelhante tem José Santos, para quem Mário Soares foi a “asa-delta da liberdade” e um democrata, defendendo que se não fosse por ele e pelos capitães de Abril, o país ainda hoje estaria em guerra.

“Mais tarde vai-se a história daquilo que ele fez e eu posso dizer-lhe, porque estive na guerra [colonial] que não era possível fazer a descolonização de outra maneira”, defendeu, acrescentando que gostava que o antigo Presidente da República fosse brevemente para o Panteão Nacional.

Miguel Teixeira, aluno do Colégio dos Salesianos, só tinha aulas mais à tarde, mas não quis deixar de ver acontecer um “momento único na história de Portugal”, ressalvando que este é o primeiro funeral de um Presidente da República democraticamente eleito.

Para este jovem, Mário Soares deixa um legado político e criou uma forma de pensar em Portugal que não existia à época, quando é criado o Partido Socialista, frisando que faz todo o sentido que seja trasladado para o Panteão Nacional.

António Amorim, por seu lado, não quis perder a oportunidade de agradecer a Mário Soares o facto de ele ter sido um “excelente Presidente da República”, enquanto Sónia Ramires, que fala segurando vários cravos vermelhos na mão, acha que é a ele que Portugal deve o facto de viver em liberdade e em democracia, sublinhando que “ele é o maior democrata mundial”.

Já Narciso Semedo defendeu que ele é “o número um”, uma pessoa que “sempre fez tudo bem”, “melhorou Portugal e melhorou a gente”, revelando que veio de propósito do Barreiro para poder despedir-se do antigo Presidente da República.

“Para mim, o doutor Mário Soares é tudo a nível nacional e internacional, como democrata não há igual e hoje é graças a ele que somos cidadãos não só portugueses, mas europeus”, destacou, por outro lado, Alcino Almeida.

Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, tendo o Governo português decretado três dias de luto nacional, até quarta-feira.

Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.

Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.

Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.

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