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Prémio Pessoa: Bíblia Grega com tradução de Frederico Lourenço foi lançada em setembro

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Porto Canal com Lusa

Redação, 09 dez (Lusa) - O primeiro volume da nova tradução da Bíblia Grega, "Septuaginta", de Frederico Lourenço, foi lançado em setembro, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, pelo padre e poeta José Tolentino Mendonça, o escritor Pedro Mexia e o catedrático Miguel Tamen.

Este é o primeiro volume de uma série de seis, que totaliza a "Septuaginta" ou "Bíblia dos Setenta", e inclui os quatro Evangelhos canónicos, de Mateus, Marcos, Lucas e João.

A "Bíblia dos Setenta" foi escrita entre os séculos I e o VII depois de Cristo, é traduzida para português diretamente do grego, por Frederico Lourenço, e contém todos os 27 livros do Novo Testamento, iguais em todas as Bíblias atuais e, no Antigo Testamento, tem todos os 46 livros da Bíblia católica, ainda mais sete livros, o terceiro e o quarto Livros dos Macabeus, os Salmos de Salomão, Odes, o Livro de Susana, a história de "Bel e o Dragão", e a Epístola de Jeremias.

"A Bíblia protestante, por exemplo, não tem nenhum Livro de Macabeus, o cânone católico tem dois, ao passo que a Bíblia Grega, que a Quetzal publica tem quatro", explicou à Lusa fonte editorial.

No total são 80 livros, mais 14 do que as Bíblias protestantes e mais sete do que a tradução do atual cânone católico, numa edição que termina em janeiro de 2019, disse o editor da Quetzal, Francisco José Vieigas.

Frederico Lourenço realçou então, em declarações aos jornalistas, que a Bíblia Grega, integral, "nunca foi traduzida para português". Quanto ao facto de a Bíblia Grega ser mais completa, deve-se - explicou - à perda de alguns livros em hebraico e de só ter restado a tradução grega, e haver traduções gregas que não foram contempladas em hebraico.

Os Livros de Daniel e de Ester, por exemplo, "estão mais completos" na "Septuaginta", acrescentou.

A edição portuguesa inclui uma introdução geral de Frederico Lourenço, e também uma introdução, contextualizando, antecedendo cada um dos livros, e várias notas de pé de página, que visam esclarecer o leitor, numa abordagem histórica, explicou Frederico Lourenço, que se afastou de qualquer comentário teológico, para o qual não se considera preparado.

"Esta é um Bíblia para ser lida por crentes e não crentes", sublinhou.

Frederico Lourenço é docente nas faculdades de Letras da Universidade de Lisboa e de Coimbra, romancista e poeta, publicou vários ensaios sobre a cultura helénica, traduziu os poemas épicos "Odisseia" e "Ilíada", ambos atribuídos a Homero, que terá vivido, provavelmente, entre 928 e 898 antes de Cristo.

Para o ensaísta, este projeto "é uma utopia, um sonho e vontade de criar qualquer coisa diferente".

No ano passado, Frederico Lourenço publicou "O livro aberto: Leituras da Bíblia", em que afirma no prefácio: "Independente, porém, de uma questão de fé, a Bíblia pode ser lida como o mais fascinante livro alguma vez escrito".

O ensaísta reconheceu, na apresentação da obra, a sua facilidade em ler o grego, sendo o da Bíblia diferente, em algumas palavras, do de Homero.

NL // MAG

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